sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Imprensa que pariu Bolsonaro renega a própria cria

 

Imprensa que pariu Bolsonaro renega a própria cria

 

Diante do retumbante fracasso do governo militar, imprensa corporativa começa a se afastar da criatura bizarra que tentou “normalizar” nas eleições de 2018

 

A imprensa burguesa (Folha, Globo, Estadão etc.), que sempre apoia golpes de Estado no país (1954, 1964, 2016 etc.), cevou e levou à presidência Bolsonaro. Agora, renegando a própria maternidade, ela passa a criticar o neofascista. Na realidade, ela deveria ser processada por abandono de incapaz.

Mas sabemos que a indisposição com a figura bizarra é devida apenas ao seu comportamento canhestro, pois no essencial há plena identificação com o desmonte de direitos trabalhistas, políticos e sociais. Ou seja, os senões por parte das classes dominantes são cosméticos, já que o cumprimento do programa neoliberal segue à risca o pontificado em encomendados editoriais laudatórios à destruição capitaneada por Paulo Guedes.

Pendurados em milhares de boquinhas na desadministração federal, os militares despreparados se agarram a cargos e funções sem que tenham a mínima ideia de projetos e ações fundamentais para o andamento cotidiano e estratégico de seus ministérios e repartições.

Com isso, a burocracia profissional acaba sendo escanteada para abrir espaço à aventura proporcionada pelo desconhecimento de fardados em ambientes em que as práticas da caserna de nada servem.

Destituídos de pré-requisitos mínimos, os aboletados levam o país à intensificação da pandemia e a uma quantidade excessiva e desnecessária de vítimas, que poderiam ser reduzidas caso houvesse a condução da resolução de problemas a cargo de quadros comprometidos com o combate às desigualdades sociais e alicerçados em critérios científicos, e não em crendices de cloroquina, “basta ter fé”, negacionismo medievais e outros disparates brandidos pelo comandante do circo de horrores em que mergulha o Brasil ao entregar o país à mediocridade.

Queimadas na Amazônia, no Pantanal, desemprego galopante, miséria ainda mais acentuada, entreguismo descarado do patrimônio nacional, ascensão da ignorância arrogante e juramentada como paradigma da “inteligência” do “homem de bem”, destruição generalizada de amplos setores econômicos, milicianos no comando, rebaixamento do país em termos gerais, orgulho de néscios por transformarem o Brasil em “pária” etc.

Todo o elencado acima fazia parte do pacote do golpe de 2016, alegremente apoiado pelas oligarquias tupiniquins em obediência aos ditames de potências externas, principalmente a estadunidense.

Quando surgem os supostos arrependidos e suas lamúrias cínicas — pois concordam com o conteúdo da devastação, mas reclamam da forma desinibida da ferocidade de seus executores, que agem sem procurar preservar as aparências —, resta-nos a lição: o capitalismo é incompatível com a democracia social e política; para garantir de qualquer maneira a espoliação das classes trabalhadoras, o sistema da “livre iniciativa” sempre age sem máscaras ao assumir suas feições nazifascistas.

 

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