sábado, 4 de abril de 2020

Trump ama o “patriotismo” dos militares “brasileiros”


Trump ama o “patriotismo” dos militares “brasileiros”


Imperialismo - A arte de rapinar tem roteiros inesgotáveis.



1.
Historicamente, os Estados Unidos olham para a América Latina como seu quintal. Nesse sentido, o império estadunidense promoveu golpes de Estado, financiou mercenários e erigiu governos fantoches com o objetivos cristalismo de controlar o acesso barato e ilimitado a matérias-primas, commodities, submissão gerencial e apropriação de riquezas dos países que se vergaram à imposição da lógica neocolonial do Tio Sam.


2.
Para frear ímpetos de setores populares por transformações político-econômico-sociais, e retomar o domínio pleno no continente, os EUA implementaram nova onda de golpes de Estado com feições aparentemente “legais” e dentro da “normalidade”. A pretexto de “combater a corrupção” em seu próprio território e no mundo, o DoJ (Departamento de Justiça dos EUA) cooptou com benesses múltiplas autoridades judiciais, parcelas do Ministério Público, policiais, parlamentares, grupos midiáticos e levou adiante a guerra híbrida. Saturando os espaços de comunicação com uma narrativa totalitária (pensamento único), criou uma realidade paralela “crível” para uma massa despolitizada e analfabeta política. Injetando overdoses de  fake news, não apenas na mídia corporativa, mas principalmente nas instituições jurídicas que poderiam servir de contrapeso à ação desvirtuadora e devastadora de normas e regramentos legais, o projeto de poder estadunidense avançou barbarizando, espicaçando e reduzindo a pó as garantias constitucionais no Brasil e nos demais países vizinhos, com raras exceções, como, por exemplo, a Venezuela).


3.
A estratégia rendeu frutos. No Brasil, Donald Trump tem em Bolsonaro seu pet mais dócil e servil, sempre abanando o rabinho para os desejos do dono(ld) Trump. Os EUA se apropriaram da Base de Alcântara, de boa parte da Amazônia, do Pré-sal, esquartejaram a Petrobras, querem abocanhar a Eletrobras e outras estatais na bacia das almas, tomam terras e tudo o que a voracidade exige e a complacência cede. Enfim, exerce um mando e apropriação diretos sobre o patrimônio brasileiro com aquiescência de militares “patriotas”.


4.
A pandemia de Coronavírus, em razão de expor a deficiência estrutural do neoliberalismo e o colapso de suas supostas promessas de prosperidade —limitadas ao capital fictício e completamente divorciado da realidade concreta das pessoas — deu visibilidade à metástase de serviços públicos sucateados e destroçados (cadáveres nas calçadas do Equador, insuficiência/inexistência de aparelhos de proteção para os trabalhadores de saúde, infraestrutura exangue/abandonada pelo descaso da emenda 95 de corte de gastos, e, como se não bastasse, os ataques à Ciência e a profusão de fake news de Bolsonaro (porta-voz dos interesses dos capitalistas) para desinformar/deformar a população, com acenos de “curas milagrosas” e alegações em contraste com a realidade  (“é uma gripezinha”), canhestras (“jejum de orações”) e sem amparo científico (indicação de fármacos sem comprovação de eficiência e retórica inflamada contra o isolamento social). Apenas bozotários não se deram conta de que seu “mito” quer promover o caos para desferir um golpe de Estado, fechar o regime e instituir uma ditadura bozozoica para chamar de sua.


5.
Com os EUA assumindo a liderança em números de casos de Covid-19 — e não contando com uma rede pública de envergadura e abrangência nacional que dê suporte básico aos doentes —, Trump passou, em poucas semanas, do negacionismo à constatação da gravidade da doença e seus efeitos arrasadores em diversas dimensões, além da saúde pública: política, econômica e, é claro, geopolítica.


6.
Tempo de murici, cada um por si. Sem pestanejar, os EUA interceptaram insumos e equipamentos médicos de outros países na China, subornando pelo triplo do preço empresas chinesas que já haviam vendido seus produtos para França, Alemanha, Brasil etc.). Não há notícias de movimentação do DoJ a respeito desses atos de corrupção de emissários estadunidenses, o que nos leva a concluir que aquilo que se denomina “corrupção” ocorre apenas quando interesses do império são contrariados. O resto é conversa mole de patriotas do estrangeiro, moro, dallagnol, forças tarefas e “cidadãos de bem” na incansável “luta contra a corrupção”.


7.
Mais uma vez, a realidade negou a previsão de Francis Fukuyama de que “a História acabou”. Os desdobramentos e convulsões que se seguirão ao fenômeno histórico de gravidade inédito ainda não são completamente perceptíveis, mas indicam que o “habitual” há poucos anos tende a ser de forma larga contestada e contrastada por propostas até então “inverossímeis e impraticáveis”, cuja emergência abrirá comportas, espaços e viabilidades nos centros de decisão. Definitivamente, não podemos enxergar de maneira estática a realidade e devemos nos dar conta dos complexos dinamismos que se contrapõem para constituir/reconstituir/reconfigurar/modificar o cenário mundial até então estacionado na distopia neoliberal.



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