segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Moralândia. Capítulo 4. A classe dominante


Moralândia. Capítulo 4. A classe dominante
A classe dominante de Moralândia é tão tacanha quanto seus apoiadores.

1. Em Moralândia, a classe dominante é inculta, troglodita, tosca e regressiva.
2. Ela não faz questão de disfarçar sua conduta rude e grosseira. A despeito dos constrangimentos internos e externos, nem mesmo um verniz civilizatório, que poderia amenizar inúmeras bizarrices, é utilizado.
3. Seu principal objetivo é espoliar o patrimônio público, construído por gerações anteriores, privatizando-o selvagemente.
4. A técnica empregada é clássica: os serviços públicos, em função de cortes orçamentários draconianos, deixam de receber investimentos, redundando na deterioração e rebaixamento da qualidade ofertada.
5. Para que os moralandenses acreditem que tais serviços não funcionam por serem inviáveis, as campanhas de marketing martelam constantemente sobre a existência de supostos problemas insanáveis e, em paralelo, realizam a apologia das mil e uma virtudes dos gestores privados (parentes e amigos da casta dirigente. Esta se apossa de seu quinhão na pilhagem colonial, a serviço do Grande Irmão do Norte).
6. Decretos se multiplicam para despojar a população de quaisquer direitos e de meios para manifestar-se contra as múltiplas ações de esbulho efetivadas sem tréguas.
7. A meta dos gestores do sistema de “justiça” de Moralândia é converter governados em obede-servos, impondo ditames discricionários sem possibilidade de reação.
8. Nesse sentido, um complexo sistema repressivo e de censura é implantado. Com a extinção dos direitos humanos, tidos como degradantes pela elite nazifascista, os dissidentes são perseguidos, exilados, torturados e mortos. A maquinaria opressiva justifica suas crueldades com o slogan “Moralândia acima de tudo. Deus acima de todos.”
9. Para dar suporte publicitário a ditados do mesmo modo enganadores, bandeiras reacionárias e engodos semelhantes são brandidos ardorosamente de forma indiferenciada por pastores e generais, sendo reproduzidos fanaticamente por toda sorte de abestados.
10. Em geral subserviente ao imperialismo, a elite cumpre seu papel subalterno sem pudores e sem limites. Os endinheirados locais, por interesses e cumplicidades, participam ativamente, de forma orquestrada e subsidiária, do saque desenfreado dos recursos de Moralândia.
11. Com a servidão dócil de classes médias igualmente iletradas, sempre dispostas a bajular os ricos na pretensão de não despencar na hierarquia social, e de pobres alienados e destituídos de qualquer consciência de classe, entregues a crendices e devaneios fabricados pela Igreja Universal do Espírito Porco, os mandatários do lugar não encontram dificuldades em extorquir não só os ossos como até a alma desses pobres diabos sedentos da diariamente prometida, mas nunca efetivada, ascensão social.
12. Sem que tenham obrigações de prestar serviços e esclarecimentos, generais e outros oficiais de alta patente recebem cargos, prebendas e outros mimos do Rei Mierdas. Pastores têm sistema próprio de arrecadação e enriquecimento instantâneo, sem a necessidade dos mortais comuns de pagar impostos, taxas e contribuições.
13. A quantidade de militares e pastores graduados recebendo sinecuras aumenta cotidianamente, a despeito de as necessidades concretas dos moralandenses deixarem de ser atendidas ou adiadas para o dia de São Nunca.
14. As Forças Armadas são empregadas, de forma terceirizada, pelo Grande Irmão do Norte em guerras coloniais de interesses deste.
15. Servem como bucha de canhão, nessas missões encomendadas, exclusivamente negros, indígenas e pobres em geral. Em último caso, integrantes dos estratos médios, cuja tendência ao desaparecimento é evidente e se consumará em breve período. Segundo admitem entre seus pares os dirigentes de Moralândia, “como não há desejo e empenho em reduzir a pobreza, que pelo menos as guerras sirvam para o comércio de armas e seus respectivos lucros fabulosos e, o que não é menos importante, reduzir significativamente a quantidade de pobres infestando o reino”.  
16. Os países vizinhos são atacados pelas Forças Armadas de Moralândia, por determinação do Grande Irmão do Norte, em razão daqueles terem petróleo e outras riquezas cobiçadas pelo chefe de fato. Caso plantassem apenas cebolas ou tomates, com certeza não seriam importunados e, muito menos, agredidos.
17. As fake news são a Bíblia do mitômano Rei Mierdas.
18. Entretanto, apesar das afirmações peremptórias das classes dirigentes de Moralândia de que não haveria traço remoto de descontentes, os dissidentes continuam a se agrupar e organizam rebeliões contra o governo antinacional, antipopular e antidemocrático do Rei Mierdas.

*****

#SequestrodeLula
Sequestro de Lula é luta de classes.
Sequestro de Lula chega aos 234 dias.
Moro beneficiou Bolsonaro, que beneficia Moro.
#LutadeClasses
#LulaLivre
Marielle e Anderson assassinados em 14/03/2018.
257 dias.
Permanecem impunes mandantes e executores.
#justiçaburguesa


*****


Confira:

Moralândia. Capítulo 3. Monarquia teocrática e nazifascista

 

Moralândia. Capítulo 2. Partido único e perseguição a dissidentes


Moralândia. Capítulo 1. Habitantes de Moralândia alimentam-se de fantasias peculiares


Quando afirmar o óbvio é uma necessidade e um sintoma

 

Marilena Chaui - A servidão voluntária e os tiranos


Brasil será transformado em imenso laboratório por Bolsonaro


Alguns começam a se dar conta de que o fundo do poço é muito mais profundo



Confira também:


a) Os livros da Editora Cia. Fagulha podem ser adquiridos diretamente pelo site da editora:




b) Na Livraria Martins Fontes Paulista
Av. Paulista, 509 - São Paulo-SP
Tel.: (11) 2167-9900;

c) E na Livraria Augôsto/Augusta
Rua Augusta, 2161 - São Paulo-SP
Tel.: (11) 3082-1830.











sábado, 17 de novembro de 2018

Moralândia. Capítulo 3. Monarquia teocrática e nazifascista


Moralândia. Capítulo 3. Monarquia teocrática e nazifascista
Em Moralândia não tem concorrência: só é permitida a existência da
Igreja Universal do Espírito Porco.

1. Como sabemos, em Moralândia temos um partido único e também apenas uma Igreja, a Igreja Universal do Espírito Porco.
2. Associados, o PUM – Partido Único de Moralândia e a IUEP - Igreja Universal do Espírito Porco fagocitam a sociedade.
3. Como em monarquias não há cidadãos, somente súditos, a fusão de interesses entre o PUM e a IUEP torna ambas instituições indistinguíveis.
4. Segundo alegações da realeza, o “anterior dízimo se revelou insuficiente” para cobrir as despesas da nobreza de Moralândia, tendo sido substituído pelo “quíntuplo do antigo”, ou seja, são 50% de taxas celestiais para os “representantes de Deus”, confirmando a tradição de que a existência de intermediários inflaciona sempre os custos materiais, e sobretudo, os espirituais.
5. Após as “reformas darwinistas trabalhista e social”, encontrar trabalho tornou-se tarefa inglória no reino, mas, em compensação, a liberação de armas deu acesso a ferramentas que proporcionam renda, por meio de assaltos, a muitos até então considerados “cidadãos de bem”.
6. Já que as penitências aos que não pagam o “quíntuplo” são por demais severas, humilhantes e inaceitáveis, os mais assíduos aos cultos resolveram “partir para as vias de fato”, demonstrando a incorporação de valores como “a livre iniciativa, o empreendedorismo e a meritocracia”.
7. De maneira cada vez mais frequente, o vizinho do banco da igreja é vítima tanto dos fiéis ao lado quanto, em grau muito maior, dos que ordenam a coleta do “quíntuplo”, cujos recentes estudos já cogitam e apontam para a “necessária atualização para algo como um sêxtuplo ou sétuplo”.
8. A justificativa permanente é afirmar que “os recursos são para obras sociais”. Entretanto, as únicas obras visíveis são a expansão de resplandecentes propriedades e bens dos dirigentes da IUEP e do PUM, cuja presença simultânea em altos postos hierárquicos de ambas tornam intercambiáveis, e até mesmo ubíquas, tais figuras.
9. Assim, a prometida prosperidade social é sempre adiada, exigindo-se paciência infinita e fé inquebrantável “até o dia do Juízo Final”. Enquanto nenhuma melhoria concreta acontece, ouve-se exaustivamente o patético apelo: “Ora que melhora”. Paralelamente, o enriquecimento instantâneo e cada vez mais exuberante dos chefes das duas organizações chaves de Moralândia, ao lado da hiperconcentração de poderes sem precedentes, são alardeados como “o reconhecimento divino traduzido em bens materiais” aos excelsos dirigentes. Relembrando, desse modo, um calvinismo de whatsapp.
10. Portanto, a proibição de outros entorpecentes ainda mantém o controle e a obediência sobre moralandenses.
11. Não se sabe até quando tais overdoses ainda farão efeito, pois a realidade teima em contraditar as fantasias elucubradas pelo Rei Mierdas e sua entourage no sentido de deter a eventual fúria do crescente número de expropriados e despossuídos que se agregam dia a dia aos tradicionais miseráveis (todos estes sujeitos à grande e anual “eliminação purificadora” promovida e ordenada pelos mitos de Moralândia).

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#SequestrodeLula
Sequestro de Lula é luta de classes.
Sequestro de Lula chega aos 225 dias.
Moro beneficiou Bolsonaro, que beneficia Moro.
#LutadeClasses
#LulaLivre
Marielle e Anderson assassinados em 14/03/2018.
248 dias.
Permanecem impunes mandantes e executores.
#justiçaburguesa


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Confira:

 

Moralândia. Capítulo 2. Partido único e perseguição a dissidentes


Moralândia. Capítulo 1. Habitantes de Moralândia alimentam-se de fantasias peculiares


Quando afirmar o óbvio é uma necessidade e um sintoma

 

Marilena Chaui - A servidão voluntária e os tiranos


Brasil será transformado em imenso laboratório por Bolsonaro


Alguns começam a se dar conta de que o fundo do poço é muito mais profundo


Confira também:

a) Os livros da Editora Cia. Fagulha podem ser adquiridos diretamente pelo site da editora:

b) Na Livraria Martins Fontes Paulista
Av. Paulista, 509 - São Paulo-SP
Tel.: (11) 2167-9900;

c) E na Livraria Augôsto/Augusta
Rua Augusta, 2161 - São Paulo-SP
Tel.: (11) 3082-1830.