quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A farsa das ideologias da meritocracia e do empreendedorismo


A farsa das ideologias da meritocracia e do empreendedorismo

 Evidência: "mito", no caso, vem de mitômano. 
Precisa desenhar ainda mais?

Quando a mídia monopolista martela freneticamente em suas publicações sobre as virtudes da meritocracia e do empreendedorismo, as pessoas atentas sabem que estão diante de um processo ideológico para justificar o status quo.
Vamos realizar um exercício sobre alguns dos mecanismos presentes na farsa das ideologias da meritocracia e do empreendedorismo, indagando sobre os requisitos exigidos pelas empresas/organizações para promover seus quadros internos.
Alguns mencionam a produtividade e a capacidade de empreender dos funcionários/sujeitos como fator referencial de mérito para ascender nas corporações/organizações. Teoricamente, estaríamos diante de uma evidência incontestável, sem possibilidade de impedir a elevação de tais figuras (e, com cara de paisagem, continuar a fazer de conta que não existe o famoso Q.I.).
Outros se referem à antevisão de problemas, trazendo ganhos de posicionamento defensivos e estratégicos ao se antecipar diante de obstáculos.
De forma lógica, vamos tratar de casos concretos da política brasileira para verificar se tais assertivas são corroboradas ou não.
Jair Bolsonaro é um caso exemplar de êxito das ideologias da meritocracia e do empreendimento. Destarte (olha aí o spoiler), o case depõe contra duas instituições, a saber: as Forças Armadas (em especial, o Exército) e o Parlamento.

Filho de golpes (de 1964 e de 2016)

Em sua entrevista ao Roda Viva, o candidato da extrema-direita desfilou a pregação nazista-tupiniquim (misoginia, homofobia, racismo, intolerância e outras pautas típicas dos “cidadãos de bem”) e exibiu de forma despudorada e orgulhosa uma ignorância e disparates reprováveis até mesmo em pré-adolescentes. Dessa maneira, Bolsonaro também é uma das provas cabais de que Deus limitou a inteligência, mas deixou a ignorância e a grosseria sem porteiras no vasto mundo. 


Ao enunciar mentiras sem preocupação com a mínima verossimilhança — a seus seguidores fanatizados, quaisquer sandices e falácias emitidas certificam e atestam a superioridade do “mito”—, o capitão reformado do Exército e deputado federal exibiu satisfeito e explicitamente algumas de suas aberrações, como, por exemplo, “português nem pisou na África”, pois “os negros é que se entregavam para ser escravizados” (o apagamento da História — genocídio de negros e indígenas — é um dos objetivos primordiais de tiranos e facínoras de todas as latitudes); “não houve golpe em 1964”, já que “Castelo Branco foi eleito democraticamente” (uma mentira dita mil vezes continua sendo uma mentira, aceita como verdade apenas por desavisados e mal-intencionados); “os militares não eram corruptos” (com a censura, o destino de quem afirmasse o contrário é notório); “não existem arquivos sobre a ditadura” (as provas que incriminariam torturadores foram suprimidas e/ou destruídas); “não existe dívida histórica com os negros porque eu não escravizei ninguém” (numa frase marota, pretende-se suprimir 350 anos de exploração e opressão dos negros, e a consequência dessa herança histórica, a nada, e, o que é pior, reeditando na prática a escravidão); admitiu que seu “livro de cabeceira é ‘A verdade sufocada’, de  Brilhante Ustra” (a obra do torturador, admirado por Bolsonaro, é o elogio da selvageria, mas seu título remete a um ato falho, já que assume, involuntariamente, crimes e sevícias necessários para o regime ditatorial sufocar/matar a verdade).
O racista, homofóbico e misógino quer esquecer (por conveniência) o passado (os crimes da ditadura e de seus ídolos, os torturadores). Ou seja, defende a impunidade de criminosos, suas crueldades e atos bárbaros. Nada de investigar delitos de fardados, togados e a multidão de cúmplices da bestialidade perpetrada pelos “cidadãos de bens”, afinal, ninguém é obrigado a produzir autoincriminação.
Portanto, as provas apresentadas pelas Comissões da Verdade (e outras que ainda podem ser levantadas) e passíveis de condenação por um Judiciário democrático (ou seja, depurado e não favorável à discricionariedade reinante na “justiça” burguesa) são obrigações fundamentais para resolvermos o passado e não o encobrir.
Então, segundo a ideologia da meritocracia, alguma empresa/corporação esperaria 14 anos para obter resultado de um funcionário/membro?
Em quase três décadas (28 anos) como parlamentar, Bolsonaro, apesar dos altos salários e inúmeros penduricalhos, conseguiu aprovar 2 projetos. Média de 1 projeto a cada 14 anos. Candidato da extrema-direita é tão improdutivo/incompetente que jamais manteria emprego em qualquer organização com um mínimo de seriedade. Seria o caso de exigir indenização do indigitado. Mas estamos no Brasil, não é mesmo?
Ademais, o racista de vida mansa, que recebe auxílio moradia (mesmo com casa própria na mesma cidade) e outros privilégios, ainda tem a petulância de defender que os trabalhadores do campo renunciem a direitos (feriados, fins de semanas etc.) em favor dos patrões. Nisso, mantém coerência com suas posições/votos favoráveis à revogação de direitos trabalhistas e sociais (os reacionários adoram afirmar que “não existe luta de classes”).
Quem acredita na “justiça” burguesa: ou é burguês ou é um rematado idiota. Não nos iludamos, os militares/civis envolvidos com os crimes da ditadura foram poupados com a “anistia” jeitosa imposta pelos interessados em preservar a própria pele.
Ao fazer apologia ao torturador Brilhante Ustra, Bolsonaro repete e reafirma suas posições fascistas, e repõe a questão: apoiadores de Bolsonaro se identificam com o "mito" por serem igualmente sádicos e/ou masoquistas?
O Exército brasileiro, por seu lado, também deve explicações ao povo. Quais são os critérios de subir em postos na caserna e se tornar oficial? A ignorância e o despreparo de Bolsonaro não foram levados em consideração para a figura chegar ao posto de capitão? Basta ser conivente com os torturadores para ser capitão? Bolsonaro reflete o pensamento médio do Exército? O entreguismo é programático e essencial para o Exército “brasileiro”? O que explica a inércia diante do neocolonialismo?
Outras duas figuras emblemáticas das ideologias do empreendedorismo e da meritocracia são Aécio Neves e João Dória, por motivos fartamente conhecidos aos que não frequentam os meios piguianos.
Cabe aos que preservaram alguma lucidez — no Brasil transformado em hospício pela reação e seu golpe de Estado — combater a sedimentação do retrocesso e reverter a toada reacionária, possibilitando ao país trilhar um caminho favorável à maioria da população trabalhadora e humilde.


Confira:

 

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Confira também:

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