quarta-feira, 25 de julho de 2018

LANÇAMENTO na Casa das Rosas de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três estudos —, 25/07/2018, das 18h às 21h. Por Maria Sílvia Betti


LANÇAMENTO na Casa das Rosas de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três estudos —, 25/07/2018, das 18h às 21h. Por Maria Sílvia Betti


CASA das ROSAS - Av. Paulista, 37
 


LANÇAMENTO NA CASA DAS ROSAS. Por Maria Sílvia Betti
25 de julho de 2018, das 18h às 21h


Agradeço ao supervisor do Espaço Haroldo de Campos, da Casa das Rosas, a cessão do espaço para o lançamento do livro “Dramaturgia Comparada Estados Unidos/Brasil. Três Estudos”.
Agradeço às atrizes Gisele Freire e Rita Giovanna, e aos atores Agenor Bevilacqua Sobrinho, Anderson Negreiro e Beto Kpta, a oportunidade de contar com as leituras dramáticas de “Algo não dito”, “Por que você fuma tanto, Lily?” e “O último de meus relógios de ouro maciço”, de Tennessee Williams por ocasião deste lançamento.

SOBRE O LIVRO
Este livro, publicado sem subsídios de agências de fomento à pesquisa, contém a íntegra do trabalho de Livre Docência apresentado à FFLCH-USP em dezembro de 2016. Ele é composto por três estudos:
1-    um panorama histórico-crítico do teatro estadunidense encenado no Brasil entre 1945 e 1968;
2-    um exame da forma e das características da peça em um ato com base em uma antologia de textos de Tennessee Williams, e da encenação de quatro das peças do ciclo do mar de Eugene O’Neill;
3-    uma análise de processos experimentais de figuração dramatúrgica e cênica de questões centrais ao capitalismo estadunidense utilizados em “America Hurrah!”, uma trilogia de peças em um ato de Jean Claude Van Itallie encenadas no off off Broadway na década de 1960.
Trata-se de um recorte tomado a uma pesquisa muito mais ampla e que continua em andamento.

ALGUNS DESTAQUES
Sobre teatro estadunidense e modernização dramatúrgica
Entre a primeira metade dos anos 1940 e o início da década de 1950 encenações realizadas pelo Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro, pela Escola de Arte Dramática (E.A.D.) de São Paulo e por companhias como os Comediantes, o Teatro Brasileiro de Comédia (T.B.C.) e a Companhia Jaime Costa, entre outras, trouxeram pela primeira vez aos teatros do Brasil peças de alguns dos principais dramaturgos estadunidenses do século XX, como Eugene O’Neill [1888-1953], Tennessee Williams [1911-1983] e Arthur Miller [1915-2005]1. Nessa mesma época e durante as décadas seguintes, adaptações de peças desses autores foram amplamente exibidas no circuito cinematográfico comercial brasileiro, o que também contribuiu para que a dramaturgia dos Estados Unidos passasse a atrair interesse crescente no âmbito do teatro no país. (p. 11)
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Em muitos casos as peças estadunidenses montadas no Brasil introduziram inovações relacionadas à caracterização dramatúrgica de personagens e de seu contexto. Isso se deu com A morte do caixeiro viajante, que utilizou recursos de escritura dramatúrgica e cênica para representar a subjetividade de seu protagonista e o sucateamento de sua força de trabalho dentro da sociedade capitalista estadunidense. Por outras vias e com diferentes implicações, Um bonde chamado Desejo pôs em cena os efeitos das transformações econômicas e sociais do país à luz das pulsões e angústias existenciais, afetivas e sexuais das personagens.
A matéria social figurada nessas peças remetia a situações históricas e econômicas ainda recentes no Brasil do início da década de 50, e que se ligavam, por exemplo, às condições de vida e subsistência nos grandes centros urbanos e industriais em expansão, às transformações no mundo do trabalho, ao crescente isolamento e alienação dos indivíduos na sociedade capitalista contemporânea e ao empobrecimento crescente dos padrões de convívio. Eram questões prementes e em larga medida intocadas pela dramaturgia brasileira até aquele momento; tomá-las como matéria de criação era um desafio para as gerações de dramaturgos que então despontavam, e isso, em alguma medida, contribuía para o crescente interesse sobre a dramaturgia estadunidense moderna. (p. 12-13)
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Sobre as peças do ciclo do mar, de Eugene O’Neill

A representação de proletários, marujos e estivadores — todos desprovidos de qualquer outro bem que não sua própria força de trabalho — assinala, na orientação do trabalho de Eugene O’Neill, um encaminhamento voluntário na direção contrária à do drama convencional, baseado na história individual de personagens agentes em conflito.
No material dramatúrgico das peças do ciclo do mar de O’Neill inexiste um conflito no sentido tradicional, que antagoniza individualidades e desejos. A natureza do material ali representado aponta claramente na direção do épico por um lado e do expressionismo cênico por outro.
É o coletivo de trabalho dos homens do mar o verdadeiro protagonista,
e O’Neill não necessita introduzir vilões para fazer emergir do material representado o fato de que é ao sistema instituído de vida e de distribuição social da riqueza que se deve imputar a miséria e a ausência de dignidade humana ali representadas. (p. 180)
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Sobre a encenação de quatro peças do Ciclo do Mar, de Eugene O’Neill, pela Cia Triptal, com direção de André Garolli

A pesquisa de linguagem cênica apoiou-se no treinamento técnico- interpretativo e na discussão e análise dos textos que seriam montados. O material levantado a partir dessa pesquisa foi “traduzido” cenicamente por meio de exercícios e de jogos teatrais. A ausência de uma estrutura dramatúrgica convencional e o aspecto propositalmente “rarefeito” da tessitura narrativa de O’Neill nas peças desse Ciclo abriram espaço para incursões experimentais no âmbito dos aspectos linguísticos e socioculturais, e também no da gestualidadee da expressividade não verbal. A conjugação de todos esses elementos permitiu explorar e apresentar, por meio da sugestão cênica, o caráter desumano e opressivo do trabalho dos marujos, chegando quase a compor uma “dramaturgia da cena” a partir dos textos de Eugene O’Neill.
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Sobre a escrita dramatúrgica de Tennessee Williams
A matéria ficcional de Tennessee provém do lado mais sombrio e aversivo do establishment capitalista estadunidense. Os espaços sociais figurados são, em muitos casos, as pensõezinhas sórdidas e bordéis, as antigas mansões agora transformadas em cortiços, e as pousadas à margem das ferrovias, antes prósperas e repletas de fregueses e agora abandonadas e vazias. (p. 212)
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Os expedientes líricos empregados na escrita dramatúrgica de Tennessee Williams e o importante papel que desempenham em seu teatro podem levar leitores ou espectadores desavisados ou ingênuos a enxergar nele um predomínio de elementos subjetivos e oníricos ligados à representação do indivíduo e da vida privada em detrimento de aspectos de representação social, econômica ou contextual.
Trata-se, na verdade, de uma percepção que encontra eco em parte da própria fortuna crítica do dramaturgo, principalmente por associar-se fortemente à avaliação, também amplamente disseminada, de que a matéria por excelência da dramaturgia de Tennessee provém da projeção de elementos da memória autobiográfica do autor.
Embora essa questão esteja fora daquilo que este capítulo se propõe a discutir, é necessário dizer-se que se trata de uma avaliação à qual uma análise atenta das peças em um ato contrapõe fartas e importantes indicações em contrário. (p. 235-236)

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A representação de questões de classe nas peças em um ato de Tennessee Williams também está presente em parte considerável de sua produção — não só nos textos reunidos em Mister Paradise e outras peças em um ato, mas também nos que integram outras compilações, como, por exemplo, Vinte e sete carros de algodão e outras peças em um ato. (p. 238)

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Sobre a trilogia “America Hurrah!”
America Hurrah, do dramaturgo Jean-Claude van Itallie (1936-), nascido na Bélgica e radicado nos Estados Unidos, é composta pelas peças Interview. A fugue for eight actors, TV e Motel. A masque for three dolls. A encenação da trilogia completa estreou em 07 de novembro de 1966 no Open Theater em Nova Iorque. A edição da peça, publicada em 1968, traz uma nota informando que ela deve sua forma final a Joseph Chaikin, fundador do Open Theater, e aos atores do grupo.
A trilogia teve 640 apresentações em sua temporada em Nova Iorque, e representou um papel de marco divisor da dramaturgia estadunidense dos anos 60, tanto pelo experimentalismo de sua concepção dramatúrgica e cênica como pelo sentido político de sua crítica contundente à ideologia dominante dos Estados Unidos. (p. 252)

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No Brasil a primeira peça, Interview. A fugue for eight actors, foi encenada na Escola de Arte Dramática de São Paulo em 1969 sob a direção de Ademar Guerra com o título de Exercícios Americanos.
Nesse mesmo ano, no Rio de Janeiro, essa mesma peça foi encenada, com o título de A entrevista pelos alunos do segundo ano do Curso de Interpretação do Conservatório Nacional de Teatro, sob a orientação de Roberto de Cleto. (p. 252)

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A complexidade formal que caracteriza Interview tem raízes tanto no campo conceitual da dramaturgia como na esfera técnica da encenação: por um lado, há um desafiador despojamento cenográfico e uma simplicidade perturbadora na construção das falas; por outro, há um processo de composição cênica apoiado exclusivamente no jogo corporal dos atores e na interatividade gestual e visual do conjunto.
Ao mesmo tempo, como fio condutor, há a presença intermitente da música que, longe de constituir-se em referência de fundo, interage em igual escala de importância com os outros elementos para a configuração do sentido coreográfico, fundamental dentro da estrutura formal da peça. (p. 261)

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A circunstância que distingue as peças de America Hurrah dentro do percurso histórico do teatro estadunidense é a de terem empreendido críticas tão impactantes e pertinentes a aspectos tão intrínsecos à constituição da ideologia e do sistema de vida estadunidense e de o terem feito com tão vigoroso experimentalismo e radicalidade reveladora. (p. 341)



A Editora Cia. Fagulha tem o prazer de convidar para o lançamento de:

Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil:
Três Estudos
                
de

Maria Sílvia Betti

(Professora da FFLCH e da ECA-USP)

25/07/2018, das 18h às 21h







PROGRAMAÇÃO:

a) Leituras dramáticas de 3 peças em um ato de Tennessee Williams

1. Algo não dito.

Elenco e Concepção: Gisele Freire e Rita Giovana Gentile


2. Por que você fuma tanto, Lily?

Elenco e Concepção: Gisele Freire e Rita Giovana Gentile


3. O último dos meus relógios de ouro maciço.

Elenco: Agenor Bevilacqua Sobrinho, Anderson Negreiro e Beto Kpta
Rubricas e Direção: Agenor Bevilacqua Sobrinho


b) Conversa com as atrizes-tradutoras (Gisele Freire e Rita Giovana) sobre a transposição das peças para os palcos brasileiros.


c) Apresentação do livro pela autora: Profª. Drª. Maria Sílvia Betti.



ONDE

CASA DAS ROSAS
ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
+55 (11) 3285.6986 | 3288.9447 contato@casadasrosas.org.br
Av. Paulista, 37 Bela Vista CEP 01311-902 São Paulo Brasil
EDITORA CIA. FAGULHA
+55 (11) 3492.3797 editora@ciafagulha.com.br

QUANDO

25/07/2018

HORÁRIO

Das 18h às 21h




Editora Cia. Fagulha:

SERVIÇO:
Preço de capa:           R$ 45,00
Preço de lançamento: R$ 40,00

Onde comprar:                    
                       


Informações:                 (011) 3492-3797


Detalhes do Produto
Editora: Cia. Fagulha - www.ciafagulha.com.br
Ano de Edição: 2017
Assunto: Dramaturgia Comparada
ISBN: 978-85-68844-03-8
Número de Páginas: 360




Confira também:

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