domingo, 10 de junho de 2018

Aquele que duvida – Bertolt Brecht


Aquele que duvida – Bertolt Brecht

BRECHT
Aquele que duvida:
Sou aquele que duvida. Eu tenho dúvida se
o trabalho que devorou seus dias foi tão bem feito.

Aquele que duvida – Brecht

Sempre que parecia
Que nós tínhamos encontrado a resposta de uma pergunta
Um de nós pegava a cordinha do velho e enrolado
Pergaminho de papel na parede, para que ele caísse e
Revelasse para nós o homem no banco que
Duvidava tanto.
Eu, ele dizia para nós
Sou aquele que duvida. Eu tenho dúvida se
o trabalho que devorou seus dias foi tão bem feito.
Se o que você disse ainda teria valor para alguém se
Tivesse sido menos bem dito.
Se talvez você tenha falado bem mas talvez
Não estivesse convencido da verdade do que disse.
Se o que disse não foi ambíguo; cada possível erro de entendimento
É responsabilidade sua. Ou talvez não seja ambíguo
E retire as contradições das coisas; isto será
não ambíguo?
Se assim for, o que você diz é inútil. Não tem vida em si.
Você está verdadeiramente na corrente dos acontecimentos? Você aceita
tudo que se desenvolve? Você está se desenvolvendo? Quem é você? A
Quem
você fala? Quem acha o que você diz útil? E, por falar
Nisso:
É sóbrio? Pode ser lido pela manhã?
Está conectado ao que já está lá? As sentenças
que foram
ditas na sua frente foram usadas, ou pelo menos refutadas? É
tudo verificável?
Por experiência? Por qual? Mas acima de tudo
sempre acima de tudo mais: como alguém se comporta
se acredita no que você diz? Acima de tudo: como alguém se comporta?
De forma reflexiva, curiosa, nós estudamos o homem azul que duvida
no papiro, nos olhamos e
Recomeçamos tudo de novo.

Bertolt Brecht


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'A resistível ascensão de Bushad'óleo.'. Margem Esquerda, São Paulo, v. 1, p. 190-198, 2005.


Brecht, história e o teatro épico >>>>> dialética


BRECHT: Arte, História e Poder



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