sábado, 24 de março de 2018

LANÇAMENTO de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três estudos — na SP Escola de Teatro, 24/03/2018, 15h. Por Maria Sílvia Betti


 LANÇAMENTO de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil: Três estudos 

— na SP Escola de Teatro, 24/03/2018, 15h. 
Por Maria Sílvia Betti
 




 LANÇAMENTO de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil: Três estudos 
— na SP Escola de Teatro, 24/03/2018, 15h. 
Por Maria Sílvia Betti

AGRADECIMENTO

Agradeço aos coordenadores da SP Escola de Teatro a cessão de seu espaço para o lançamento do livro Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três Estudos.
Agradeço aos atores Dante Passarelli, David Medeiros, Davi Novaes, Lucas Miquelon, e ao diretor, Luís Márcio Arnaut, a oportunidade de contar com a encenação de E contar tristes histórias das mortes das bonecas, de Tennessee Williams, por ocasião deste lançamento.

SOBRE O LIVRO

Este livro foi publicado sem nenhum subsídio oriundo de agência de fomento à pesquisa, e contém a versão revista do trabalho apresentado dentro do Concurso Público de Títulos e Provas visando ao título de Livre Docente promovido em 2016 pelo Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, área de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Disciplina de Literaturas em Língua Inglesa: Teatro Norte-americano e Dramaturgia Comparada.
A Comissão Julgadora que o avaliou foi composta pelos Profs. Drs. Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos (DLM-FFLCH, Titular), Lenita Maria Rimoli Esteves (DLM-FFLCH, Livre-Docente), Maria Lúcia de Souza Barros Pupo (ECA-USP, Titular), Sílvia Fernandes Telesi (ECA-USP, Titular) e John Robert Schmitz (UNICAMP, Titular).
Os três estudos que o compõem apresentam respectivamente um panorama histórico-crítico do teatro estadunidense encenado no Brasil entre 1945 e 1968, um exame da forma e das características da peça em um ato, e uma análise de processos experimentais de figuração dramatúrgica e cênica de questões centrais ao capitalismo estadunidense utilizados em uma trilogia de peças em um ato do off off Broadway da década de 1960.
Trata-se de um trabalho em progresso, fruto de recorte tomado a uma pesquisa muito mais ampla e que continua em andamento. Sua apresentação antecipada em relação às demais etapas previstas resultou da consciência das difíceis circunstâncias que o trabalho docente enfrenta dentro da Universidade pública no momento atual.

ALGUNS DESTAQUES

Sobre teatro estadunidense, modernização dramatúrgica e “realismo”

Entre a primeira metade dos anos 1940 e o início da década de 1950 encenações realizadas pelo Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro, pela Escola de Arte Dramática (E.A.D.) de São Paulo e por companhias como Os Comediantes, o Teatro Brasileiro de Comédia (T.B.C.) e a Companhia Jaime Costa, entre outras, trouxeram pela primeira vez aos teatros do Brasil peças de alguns dos principais dramaturgos estadunidenses do século XX, como Eugene O’Neill [1888-1953], Tennessee Williams [1911-1983] e Arthur Miller [1915-2005]. Nessa mesma época e durante as décadas seguintes, adaptações de peças desses autores foram amplamente exibidas no circuito cinematográfico comercial brasileiro, o que também contribuiu para que a dramaturgia dos Estados Unidos passasse a atrair interesse crescente no âmbito do teatro no país (p. 11).

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Em muitos casos, as peças estadunidenses montadas no Brasil introduziram inovações relacionadas à caracterização dramatúrgica de personagens e de seu contexto. Isso se deu com A morte do caixeiro viajante, que utilizou recursos de escritura dramatúrgica e cênica para representar a subjetividade de seu protagonista e o sucateamento de sua força de trabalho dentro da sociedade capitalista estadunidense. Por outras vias e com diferentes implicações, Um bonde chamado Desejo pôs em cena os efeitos das transformações econômicas e sociais do país à luz das pulsões e angústias existenciais, afetivas e sexuais das personagens.
A matéria social figurada nessas peças remetia a situações históricas e econômicas ainda recentes no Brasil do início da década de 50, e que se ligavam, por exemplo, às condições de vida e subsistência nos grandes centros urbanos e industriais em expansão, às transformações no mundo do trabalho, ao crescente isolamento e alienação dos indivíduos na sociedade capitalista contemporânea e ao empobrecimento crescente dos padrões de convívio. Eram questões prementes e em larga medida intocadas pela dramaturgia brasileira até
aquele momento; tomá-las como matéria de criação era um desafio para as gerações de dramaturgos que então despontavam, e isso, em alguma medida, contribuía para o crescente interesse sobre a dramaturgia estadunidense moderna (p. 12-13).


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Em 1956, com o ingresso de Augusto Boal no Teatro de Arena de São Paulo, o contato com a dramaturgia estadunidense torna-se mais estreito do que havia sido até então. Boal tinha retornado ao Brasil em 1955 após dois anos em Nova Iorque, onde passara por um período de estudos em contato direto com John Gassner (crítico teatral e professor colaborador na Universidade de Columbia) e assistira oficinas no Actors Studio, o mais importante núcleo de trabalho interpretativo voltado a atores profissionais dos Estados Unidos (p. 15).


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De fato, o nome de John Gassner figura em praticamente todos os títulos da extensa bibliografia sobre o teatro de Boal, seja no Brasil, seja internacionalmente. São incontáveis as entrevistas e os depoimentos em que Boal, dirigindo-se a interlocutores de diversas origens, situa seu período de estudos com Gassner em Nova Iorque como o ponto de partida para o trabalho que desenvolveria a partir de seu ingresso no Teatro de Arena de São Paulo em 1956. Igualmente incontáveis, em pesquisas sobre o próprio trabalho de Boal, são as menções ao nome do crítico, geralmente associando-o a uma valorização prescritiva de um padrão de dramaturgia realista e ligada ao molde formal do drama.
Essa associação, que se generalizou rapidamente no Brasil, não resultou da leitura dos escritos de Gassner, e sim do entendimento indireto e presumido de seu pensamento a partir de alusões que lhe passaram a ser feitas no contexto mais amplo dos estudos sobre o teatro moderno. A tradução e publicação dos livros de Gassner no país teria início apenas alguns anos mais tarde (em meados dos anos 1960), época em que a dramaturgia estadunidense moderna já havia passado a ser associada a um assim chamado “realismo psicológico” (P. 18-19).


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As transformações formais na dramaturgia e as concepções que as fundamentaram são discutidas pelo crítico à luz de uma análise historicizada das peças e encenações. A cronologia do teatro moderno incluída no final do volume não se atém aos grandes títulos projetados pelo establishment teatral da Broadway, ou às grandes montagens de encenadores europeus: abrange também formas experimentais de dramaturgia e encenação, como as praticadas nos “teatrinhos” (little theaters) do início do século XX, e trabalhos radicalmente não realistas e não dramáticos como os pageants estadunidenses e os já citados living newspapers (p. 22).

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A atenção analítica de Gassner à materialidade de seu objeto (ou seja, à relação entre forma e ideia) permite-lhe detectar e analisar processos que em nada se caracterizam como prescrições valorativas do realismo ou da forma do drama. Embora o crítico nunca tenha sido defensor de um realismo stricto sensu, esse foi, como apontamos, o entendimento que prevaleceu no Brasil sobre suas posições, e que se propagou, em larga medida, a partir dos debates e estudos internos de dramaturgia conduzidos por Boal dentro do Teatro de Arena. As decorrências disso foram amplas e marcantes e continuam a ser observadas no presente momento, pois não apenas o trabalho de John Gassner como crítico e pensador do teatro, mas a própria dramaturgia moderna dos Estados Unidos, passariam a ser irrestritamente associados a um modelo realista supostamente estruturante tanto da dramaturgia propriamente dita como da encenação e do estilo interpretativo (p. 35).


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Na primeira metade da década de 90, a presença frequente dos autores estadunidenses consagrados nos palcos brasileiros de São Paulo e Rio viria impor uma constatação um tanto paradoxal: por um lado o número de encenações ao longo desse período mostrou-se expressivo, como comprovam as montagens de Nossa cidade, de Thornton Wilder, Morte de um caixeiro viajante e Vidros partidos, de Arthur Miller, À margem da vida, de Tennessee Williams, Quem tem medo de Virginia Woolf?, Três mulheres altas e Um equilíbrio delicado, de Edward Albee, Desejo, de Eugene O’Neill, Perversidade sexual em Chicago, Oleanna e Avesso, de David Mamet, e Angels in America (Parte I: O Milênio se aproxima), de Tony Kushner, para citar apenas alguns dos exemplos.
Por outro lado, apesar da frequência e da importância dos contatos com a dramaturgia e com as linhas de trabalho do teatro estadunidense durante todo esse período, é possível constatar-se que o teatro estadunidense encontra-se ainda longe de ter sido analisado de forma mais significativa e crítica no que se refere às formas de sua inserção e repercussão dentro do contexto teatral e do debate cultural e político do Brasil (p. 132-133).

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Sobre a escrita dramatúrgica de Tennessee Williams


A matéria ficcional de Tennessee provém do lado mais sombrio e aversivo do establishment capitalista estadunidense. Os espaços sociais figurados são, em muitos casos, as pensõezinhas sórdidas e bordéis, as antigas mansões agora transformadas em cortiços, e as pousadas à margem das ferrovias, antes prósperas e repletas de fregueses e agora abandonadas e vazias (p. 212).

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Os expedientes líricos empregados na escrita dramatúrgica de Tennessee Williams e o importante papel que desempenham em seu teatro podem levar leitores ou espectadores desavisados ou ingênuos a enxergar nele um predomínio de elementos subjetivos e oníricos ligados à representação do indivíduo e da vida privada em detrimento de aspectos de representação social, econômica ou contextual.
Trata-se, na verdade, de uma percepção que encontra eco em parte da própria fortuna crítica do dramaturgo, principalmente por associar-se fortemente à avaliação, também amplamente disseminada, de que a matéria por excelência da dramaturgia de Tennessee provém da projeção de elementos da memória autobiográfica do autor.
Embora essa questão esteja fora daquilo que este capítulo se propõe a discutir, é necessário dizer-se que se trata de uma avaliação à qual uma análise atenta das peças em um ato contrapõe fartas e importantes indicações em contrário (p. 235-236).


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A representação de questões de classe nas peças em um ato de Tennessee Williams também está presente em parte considerável de sua produção — não só nos textos reunidos em Mister Paradise e outras peças em um ato, mas também nos que integram outras compilações, como, por exemplo, Vinte e sete carros de algodão e outras peças em um ato.






Endereço:

SP Escola de Teatro
Praça Franklin Roosevelt, 210 - República
24 de março de 2018, 15h.


Se preferir, compre pelo site da
Editora Cia. Fagulha:

SERVIÇO:
Preço de capa:            R$ 45,00
Preço de lançamento: R$ 40,00

Onde comprar:                    
                       

Informações:                 (011) 3492-3797

Detalhes do Produto
Editora: Cia. Fagulha - www.ciafagulha.com.br
Ano de Edição: 2017
Assunto: Dramaturgia Comparada
ISBN: 978-85-68844-03-8
Número de Páginas: 360



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