sábado, 17 de março de 2018

LANÇAMENTO de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três estudos — no Heleny Guariba, 17/03/2018, das 15h às 18h30. Por Maria Sílvia Betti



LANÇAMENTO de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três estudos — no Heleny Guariba, 17/03/2018, das 15h às 18h30. Por Maria Sílvia Betti



LANÇAMENTO de Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil. Três estudos — no Heleny Guariba, 17/03/2018, das 15h às 18h30. Por Maria Sílvia Betti


AGRADECIMENTO

Agradeço a Dulce Muniz, diretora do Núcleo do 184, do Teatro Studio Heleny Guariba, a oportunidade de realizar nesse teatro o primeiro lançamento do livro “Dramaturgia Comparada/Estados Unidos/Brasil. Três Estudos”, e de realizá-lo com a participação de atores e atrizes por meio de leituras dramáticas ligadas ao tema abordado.
Agradeço a Agenor Bevilacqua Sobrinho, Anderson Negreiros, Ângela Ribeiro, Beto Kpta, Leandro Lago, Poliana Pitteri e Zé Victor Sendacz, a possibilidade de contar com as leituras dramáticas hoje oferecidas.


LANÇAMENTO NO TEATRO STUDIO HELENY GUARIBA

O dia 17 de março, dia do nascimento da diretora, professora e militante Heleny Guariba, é uma referência dentro do trabalho do Núcleo do 184 e do teatro que leva seu nome. O assunto do livro que está hoje sendo lançado, a presença da dramaturgia estadunidense no Brasil, poderá parecer alheio à perspectiva histórica pela qual Dulce Muniz e o Núcleo do 184 se ligam ao trabalho de Heleny Guariba. Afinal, os Estados Unidos são o país onde o capitalismo atingiu seu mais avassalador nível de desenvolvimento, e onde os mecanismos de controle ideológico e de hegemonia política ganharam proporções não equiparadas em outros contextos.
A pergunta que imediatamente se coloca diante disso é: será coerente, útil ou desejável realizar tal lançamento precisamente em um teatro como o Heleny Guariba, que homenageia a história de luta de uma militante presa, torturada e desaparecida nos meandros dos órgãos da ditadura militar? Será coerente lançar nesse teatro um livro cujo foco de estudo é a dramaturgia, o teatro e as concepções cênicas do país que sabidamente orquestrou e direcionou as forças por meio das quais essa ditadura se instalou?
Se observarmos que o assunto do livro não é o teatro estadunidense em si e em seu próprio solo histórico, mas dentro do contexto político e artístico do Brasil, a resposta a essa questão será afirmativa. Entre o segundo pós-guerra e a primeira metade dos anos 60, praticamente todos os principais diretores e companhias do país levaram à cena, em algum momento, peças do moderno repertório estadunidense, seja dos dramaturgos ditos “canônicos” (Eugene O’Neill, Tennessee Williams e Arthur Miller), seja de outros que ganharam fama nessa fase especificamente. Os espetáculos apresentados nesse período foram objeto de críticas teatrais nos principais jornais da época, e algumas das montagens percorreram outras regiões do país. A moderna dramaturgia estadunidense ganhou difusão mais intensa e continuada no Brasil a partir do final dos anos 1940, quando profundas e aceleradas transfigurações econômicas, políticas, sociais e culturais foram registradas no país. A matéria social figurada nessa dramaturgia remetia a situações históricas e econômicas que eram ainda recentes no Brasil do início da década de 1950, e que aludia às condições de vida e subsistência nos grandes centros urbanos e industriais em expansão, às transformações no mundo do trabalho, ao crescente isolamento e alienação dos indivíduos na sociedade capitalista contemporânea e ao empobrecimento progressivo dos padrões de convívio. Eram questões em larga medida intocadas, até então, pela dramaturgia brasileira. Tomá-las como assunto era um inegável desafio para as gerações de jovens dramaturgos que então iam surgindo, e isso contribuiu para o crescente interesse sobre as peças estadunidenses e para a sua difusão dentro do campo mais amplo do trabalho do teatro no Brasil.
Em alguma medida, a história dos processos cênicos e interpretativos característicos dessas peças passou a fazer parte da história das práticas teatrais e das concepções estéticas do teatro realizado no país. Inventariar esses processos e estudá-los em chave crítica e historicizante pressupõe uma análise atenta às estruturas materiais e de pensamento que embasavam a sua realização.
Também o trabalho formativo de Heleny Guariba com alunos e com jovens atores partiu de perspectiva historicizante e crítica semelhante, e é dentro dessa perspectiva que se insere a pesquisa que deu origem a este livro que hoje está sendo lançado.


SOBRE O LIVRO

Este livro foi publicado sem nenhum subsídio de agência de fomento à pesquisa. Seu custeio foi feito apenas pelos recursos provenientes do trabalho da autora, e não contou com subsídio de qualquer natureza.
Condições muito diferentes haviam envolvido a publicação do livro intitulado “Oduvaldo Vianna Filho”, também desta autora, lançado dentro da Coleção Artistas Brasileiros da Edusp, em 1997, com bolsa na modalidade Auxílio à Publicação obtida junto à FAPESP. Esse trabalho resultava de pesquisas que a autora realizara em seu doutorado e mestrado, ambos sobre a dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho, e foi, naquele momento, o primeiro volume da Coleção Artistas Brasileiros dedicado a um homem de teatro. O auxílio obtido junto à FAPESP permitiu atender às características da coleção, que pressupunha a inclusão de fotos e imagens iconográficas que ilustraram o percurso e as concepções do dramaturgo, os diferentes momentos de sua carreira, suas lutas e enfrentamentos políticos e artísticos, e os registros de grande número das montagens de suas peças. Uma tiragem de 1.500 exemplares foi publicada, o que representava um número condizente com a importância do assunto e com a relevância acadêmica da casa editorial que o publicava.
No período de tempo decorrido entre aquele lançamento, em 1997, e este, em 2018, muita coisa se transformou: a universidade tornou-se cada vez mais sujeita aos processos de avaliação docente baseados na quantificação de artigos e capítulos publicados por seus professores. A necessidade de publicar em números de acordo com as expectativas das entidades avaliadoras do trabalho docente incentivou a pulverização do trabalho de pesquisa em papers, seja os resultantes de participações em congressos e simpósios, seja os submetidos a revistas acadêmicas, preferencialmente as que tivessem sido indexadas com classificações que as colocassem em patamares elevados e compatíveis com os de suas similares internacionais.
Ao longo dos anos a dificuldade de distribuição dos livros em geral e as taxas cobradas pelas livrarias foram crescendo significativamente. Os livros, paralelamente, foram sendo cada vez mais secundarizados na escala de valores do trabalho acadêmico, enquanto as revistas acadêmicas, escoadouro dos papers cada vez mais numerosos, iam deixando a forma impressa, e ganhando a forma digitalizada, menos custosa e tida como mais ágil no sentido da socialização do conhecimento.
Dentro de um horizonte de trabalho fortemente apoiado no “publicar ou perecer”, de procedência estadunidense, foi assim se tornando cada vez mais difícil não só a publicação de livros (mesmo dos que resultavam de trabalhos de pesquisa) como também a sobrevivência física do acervo editorial dos já existentes.
No ano de 2017, ainda sob o impacto causado pelo encerramento de atividades de uma grande e significativa casa editorial, a Edusp, editora da maior universidade do país, enviou a seus docentes e autores uma mensagem que dava a público uma lista de títulos que seriam descartados por carência de espaço físico, e oferecia um certo número deles para autore(a)s que desejassem assim preservá-los. O volume dedicado à dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho constava dessa lista, assim como várias dezenas de outros, ligados a assuntos das áreas de Ciências Humanas. O processo ainda está em andamento no momento em que estamos (março de 2018). O destino que será dado a todos os que não vierem a ser doados será presumivelmente o descarte.
O lançamento de “Dramaturgia Comparada Estados Unidos/Brasil. Três Estudos” pela editora Cia. Fagulha está ocorrendo, como se pode constatar, num momento em que uma grande ironia se configura: no universo do trabalho intelectual regido pelas normas do “publicar ou perecer”, o livro passou a ter pouca importância. Tão pouca que nem mesmo a preservação daqueles que resultaram de pesquisa continuada e que visavam à sua socialização têm merecido tratamento diverso. Num país como o Brasil, em que são precárias as condições de formação de estudantes e de professores, e em que a educação pública vem sofrendo duros golpes em todos os seus níveis, pode-se, a esta altura, perguntar: qual será o destino editorial deste livro que está sendo lançado? Que papel ele terá condições de desempenhar? O tempo e as circunstâncias históricas o dirão.



DO QUE TRATA O LIVRO

Três temas são abordados em “Dramaturgia Comparada Estados Unidos/Brasil. Três Estudos”: um panorama histórico-crítico do teatro estadunidense encenado no Brasil entre 1945 e 1968, um estudo sobre a forma e as características da peça em um ato, e uma análise dos processos experimentais de figuração dramatúrgica e cênica de questões centrais ao capitalismo estadunidense.
O chamado “realismo psicológico”, tido como traço característico da moderna dramaturgia dos Estados Unidos, é colocado sob foco crítico no primeiro estudo, assim como a ideia da existência de um chamado “playwriting americano”, conjunto coeso de procedimentos normativos de criação que teriam tido ampla aplicação por parte de seus principais autores.
A fim de discutir o conceito de realismo é realizada uma abordagem do trabalho crítico de John Gassner, ressaltando-se o fato de que seu entendimento do termo tem contornos muito mais amplos, nuançados e historicizados do que os livros sobre a modernização do teatro no Brasil dão a entender.
Nesse mesmo estudo é examinado o aporte de obras críticas estadunidenses no Brasil, frutos de um contexto ideológico e político de patrocínios oriundos de entidades governamentais estadunidenses por um lado, e de iniciativas editoriais no âmbito de diferentes facções da intelectualidade brasileira no pós-golpe por outro.
O segundo estudo propõe-se a examinar a forma da peça em um ato com base em dois conjuntos de textos traduzidos e encenados por duas importantes companhias teatrais de São Paulo: a Triptal, que levou à cena em São Paulo e em Chicago o chamado Ciclo de Peças do Mar de Eugene O’Neill, e as duas antologias de peças de Tennessee Williams provenientes do trabalho tradutório e interpretativo do Grupo TAPA: “27 Carros de Algodão e outras peças em um ato” e “Mr. Paradise e outras peças em um ato”.
No terceiro estudo, por fim, apresenta-se uma análise de “America Hurrah”, trilogia de pequenas peças em um ato do dramaturgo belgo-estadunidense Jean-Claude Van Itallie (1934-). Procura-se, ao analisá-las, examinar as formas pelas quais elas tratam de questões contemporâneas pouco frequentes no âmbito da dramaturgia, como a instrumentalização gerencial do trabalho, os processos de exploração e de alienação dos trabalhadores, a avassaladora indústria do consumo, a veiculação ideologicamente direcionada de imagens pela televisão, a guerra e seu atrelamento aos interesses do Estado e o exercício da hegemonia econômica e bélica dos Estados Unidos. Esses assuntos, por sua própria envergadura, exorbitam os parâmetros da dramaturgia convencional, e são abordados por meio de imagens e processos cênicos de grande contundência experimental e radicalidade crítica.
  Os três estudos que integram este livro representaram um recorte tomado à pesquisa docente mais ampla de sua autora. As difíceis circunstâncias impostas pelos processos de desmonte do trabalho docente dentro Universidade e do país motivaram a opção da autora de antecipadamente recortá-los do todo maior ao qual se ligam, e de apresentá-los dentro do Concurso Público de Livre Docência prestado em dezembro de 2016.
Trata-se, portanto, de um trabalho em progresso, tomado a uma pesquisa muito mais ampla que continua em andamento e que se estende para além de 1968, incorporando outras estruturas formais além daquela da peça em um ato, e outras estruturas de dramaturgia e encenação contemporâneas ao off off Broadway dos anos 1960 e também posteriores a ele.


LIVRE DOCÊNCIA: O QUE É?

Um concurso de livre-docência é um processo aberto por edital público, e o(a)(s) candidato(a)(s) inscrito(a)(s) devem, com base em uma lista de pontos ligados a uma determinada área de estudos, submeter-se a uma prova escrita, a uma prova didática, apresentar um Memorial sobre seu percurso de trabalho, defendê-lo em arguição pública por uma Comissão Julgadora previamente designada, e apresentar uma tese monográfica ou cumulativa sobre um tema acadêmico, defendendo-a perante essa mesma Comissão.
“Dramaturgia Comparada Estados Unidos/Brasil. Três Estudos” contém a versão revista do trabalho apresentado dentro do Concurso Público de Títulos e Provas visando ao título de Livre Docente promovido pelo Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, área de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Disciplina de Literaturas em Língua Inglesa: Teatro Norte-americano e Dramaturgia Comparada.
A Comissão Julgadora que o avaliou, em dezembro de 2016, foi composta pelos Profs. Drs. Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos (DLM-FFLCH, Titular), Lenita Maria Rimoli Esteves (DLM-FFLCH, Livre-Docente), Maria Lúcia de Souza Barros Pupo (ECA-USP, Titular), Sílvia Fernandes Telesi (ECA-USP, Titular) e John Robert Schmitz (UNICAMP, Titular). 



A Editora Cia. Fagulha tem o prazer de convidar para o lançamento de:

Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil:
Três Estudos
                
de

Maria Sílvia Betti

(Professora da FFLCH e da ECA-USP)

17/03/2018, das 15h às 18h30





PROGRAMAÇÃO:

a) Núcleo do 184 conta Tennessee:

Leituras dramáticas de peças em um ato de Tennessee Williams

1. " Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir."
Elenco: Poliana Pitteri e Leandro Lago.

2. "Esta propriedade está condenada."
Elenco: Angela Ribeiro e Zé Victor Sendacz.

3. "O último dos meus relógios de ouro maciço."
Elenco: Agenor Bevilacqua Sobrinho, Anderson Negreiro e Beto Kpta.

Rubricas e Direção: Dulce Muniz.


b) Apresentação do livro pela autora: Profª. Drª. Maria Sílvia Betti.


Teatro Studio Heleny Guariba
Praça Franklin Roosevelt, 184 - República
Tel.: (11) 3259-6940

Se preferir, compre pelo site da
Editora Cia. Fagulha:

SERVIÇO:
Preço de capa:           R$ 45,00
Preço de lançamento: R$ 40,00

Onde comprar:                    
                       

Informações:                 (011) 3492-3797

Detalhes do Produto
Editora: Cia. Fagulha - www.ciafagulha.com.br
Ano de Edição: 2017
Assunto: Dramaturgia Comparada
ISBN: 978-85-68844-03-8
Número de Páginas: 360



Confira também:

Os livros da Editora Cia. Fagulha podem ser adquiridos diretamente pelo site da editora ( www.ciafagulha.com.br ) ou na Livraria Augôsto/Augusta (Rua Augusta, 2161 - São Paulo-SP)







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