segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Negros não são bem-vindos na USP


“Negros não são bem-vindos na USP”


"Negros não são bem-vindos na USP"

 Racismo no Tucanistão





No dia 17/2, o Diretório Central dos Estudantes-Livre "Alexandre Vannucchi Leme" (DCE) promoveu a Calourada Unificada, atividade tradicionalmente realizada na semana de recepção dos calouros da USP, com o intuito de realizar debates políticos entre estudantes, docentes e ativistas de diversos movimentos sociais. O ano de 2016 tem um caráter especial para a Calourada, já que o DCE comemora 40 anos de sua refundação, após a proibição de suas atividades durante o período da Ditadura Militar (1964-1985). Porém, nem todas as atividades planejadas chegaram a acontecer.

Estava marcada para 19h30 a festa de encerramento da Calourada, chamada "Festival Proibido" e que se realizaria em frente ao edifício do Museu de Arte Contemporânea (MAC), que terminou não acontecendo. O nome fazia referência à proibição da realização de eventos festivos na USP, bem como a comercialização e consumo de bebidas alcoólicas nas dependências da universidade, determinadas pela Resolução 7.088/15, baixada pela Reitoria.

A decisão de impedir o "Festival Proibido" partiu de Osvaldo Shigueru Nakao, superintendente do Espaço Físico da USP. Nakao, que acumulava até 18/2 o cargo de chefe de Gabinete da Reitoria, proibiu a entrada no campus do Butantã de um trio elétrico que seria utilizado pelo DCE para a realização da festa.

Os membros do DCE tentaram negociar com a Reitoria, mas a decisão de proibir a entrada do trio elétrico foi reforçada com a presença de viaturas da Polícia Militar nos portões de acesso da Cidade Universitária. O caminhão foi bloqueado no Portão 2. O incidente atrasou a realização de um Ato Público convocado para às 17h30 no Auditório da História, chamado "Os de dentro lutam com os de fora: cotas e permanência já!" e que contaria com a presença de militantes do movimento negro.

Por outro lado, os membros do DCE não conseguiram utilizar o auditório da História para a realização do Ato Público, embora ele estivesse reservado desde janeiro pela entidade para as atividades da Calourada. Motivo: o auditório também fora reservado para a realização da Aula Magna da FFLCH, no horário das 17h30. Porém, a Aula Magna estava prevista para acontecer apenas às 19h30 e de fato começou nesse horário, porém no auditório da Geografia.


O impasse só foi resolvido quando o DCE conseguiu liberar o auditório da História para a realização do Ato Público. "A Calourada tem a tradição de dar o 'pontapé inicial' nas atividades do movimento estudantil, na luta pela democratização da universidade e na luta por cotas. A Reitoria claramente percebe isso e faz de tudo para inviabilizar nossas atividades, vide o caso do trio elétrico. Sobre a questão do auditório, a burocracia da FFLCH, na figura de Sérgio Adorno, que aspira a altos cargos na Reitoria, tinha a intenção de igualmente dispersar nossas atividades e esvaziar o debate político", declara Guilherme Fregonese, membro do DCE, referindo-se ao diretor da unidade.



Ocupação Preta

Mal havia começado a Aula Magna e membros do coletivo Ocupação Preta entraram no auditório onde o professor José de Souza Martins ministraria a conferência "O Homem Simples no desenvolvimento das Ciências Humanas na Faculdade de Filosofia da USP". A ocupação ocorreu com os manifestantes entoando a poesia "Notícias", de José Carlos Limeira, um dos autores de maior destaque do movimento negro.

"Mais um ano e a USP não tem cotas. Há vinte anos, o Núcleo de Consciência Negra (NCN) ocupou um espaço perto da FEA e, por várias vezes, essa Universidade tentou derrubar e destruir o NCN. E sabe por quê? Porque negros não são bem-vindos nesta universidade", declarou uma representante do coletivo. Vários outros ativistas fizeram intervenções, discutindo o fato de "a maior Univer­si­da­de da América Latina, loca­li­zada em um país cuja metade de sua população é formada por afrodescendentes, não adotar nenhuma medida para incluir a população negra no ensino superior".

Diversas foram as reações dos presentes. "Trabalhar com estereótipos, como estou vendo, não ajuda a compreender. Acusar a Universidade de São Paulo de racista é algo um tanto quanto pesado e exagerado", rebateu Martins, dando como exemplo o volume de pesquisas na USP relacionadas à questão do negro.

Os representantes da Ocupação Preta, porém, responderam que a USP tem "apenas 7% de seu corpo discente formado por negros".

Minutos depois, o Ato Público do DCE, que finalmente havia começado no auditório da História, foi interrompido, tendo os membros da mesa de discussão e o público presente se integrado à ocu­pação da Aula Magna, no audi­tó­rio da Geografia. Após a manifes­tação, uma intervenção do grupo de agitação cultural Coro de Carcarás ocorreu no Vão da História e Geografia, encerrando a Calourada.



Carta dos estudantes de história aos docentes e funcionários do DH, especialmente aos que ocupam cadeiras no CO. 
(Aprovada em reunião ordinária do CAHIS)

"O movimento estudantil e o movimento negro foram surpreendido no começo dessa semana com a divulgação dos pontos a serem debatidos na próxima congregação (25/02) da FFLCH. Uma "nota de desagravo" à atuação do movimento negro, durante a aula magna de recepção aos calouros, deve ser discutida. 


Entendemos essa política como parte de uso das instituições da universidade para deslegitimar as pautas levantadas por esses movimentos e colaborar com a sua criminalização que hoje já é banal dentro dessa universidade, numa realidade com diversos processos administrativos e criminais contra aqueles que lutam por pautas sociais como no caso as cotas raciais.


Chamamos todos os professores, estudantes e funcionários a estarem ao lado do movimento negro e estudantil nessa próxima congregação, barrando a aprovação desta nota de desagravo ao movimento e se posicionando contra a criminalização e repressão aos movimentos sociais".


Confira também:













A Guerra de Yuan narra a história de um intrigante personagem do futuro e de um sombrio mundo de autômatos fortemente moldados e cerceados pelos meios de comunicação, cuja função massificadora é claramente ligada à concentração de um poder central nas mãos da Yuan-Mind,  empresa que controla as engrenagens do mecanismo totalizante e esmagador de Yuan.


 

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