segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ave de rapina faminta se apropria de 30% de recursos públicos em São Paulo


Ave de rapina faminta se apropria de
30% de recursos públicos em São Paulo



COISAS DO PSDB: O CARTEL PLANEJA A  SOCIEDADE

A coisa goteja de forma dolorosa no noticiário conservador, que resiste em expelir o que sabe como quem guarda uma pedra no rim. Machuca mais segurar ou botar para fora? A Siemens, uma das grandes fornecedoras de equipamentos ao metrô de São Paulo, já decidiu. E contou  tudo, ou quase tudo, sobre a pré-definição ilegal de cotas e preços entre ‘concorrentes' das licitações tucanas. A acomodação desse condomínio de interesses lesou o cofre público do Estado com um sobrepreço ora aventado em 30%. Durante década e meia. Uma das perguntas que afligem o sistema renal do colunismo da indignação seletiva é: uma lambança dessa ordem, assentada no aconchego de três governos sucessivos do PSDB -Covas, Serra e Alckmin,  teria prosperado, por tanto tempo, sem a parceria orgânica de altos escalões? A ver o empenho investigativo da artilharia que sempre atuou a plenos pulmões em ocasiões em que o seu alvo eram reputações progressistas. Duas ou três coisas precisam ser ditas enquanto isso. Elas remetem ao núcleo duro desse enredo: a união estável entre cartel e política em nosso tempo. O cartel usado e abusado sob as asas do PSDB é a forma hegemônica de planejamento no mundo atual. Uma modalidade de ‘intervencionismo' às avessas. Mas não tão original assim. E esse é o ponto a reter da grande fraude por trás das outras  menores, como essa do assalto ao metrô em São Paulo. Ao PSDB conceda-se o mérito da coerência: o Estado mínimo, que tem no partido um centurião canino, é o regaço histórico dessa modalidade de planejamento do capital contra a sociedade. Ou da sociedade para servir ao capital.



Fonte: Saul Leblon - www.cartamaior.com.br 

A coisa goteja de forma dolorosa no noticiário conservador, que resiste em expelir o que sabe como quem guarda uma pedra no rim. 


Machuca mais segurar ou botar para fora? 



Difícil.



A Siemens, uma das grandes fornecedoras de equipamentos do metrô de São Paulo, já decidiu. 



E contou tudo ou quase tudo sobre a predefinição ilegal de cotas e preços entre ‘concorrentes’ nas grandes licitações tucanas. 



A acomodação desse condomínio de interesses lesou o cofre público com um sobrepreço ora aventado em torno de 30%. 



Durante década e meia. Período no qual a rede metroviária da capital avançou a passo de preguiça para somar 74 km de trilhos: 1/3 da mexicana, que começou junto.



É possível que o curso das investigações elucide os nexos entre uma coisa e outra: a lerdeza operacional tucana e o conluio de seus governantes com o oligopólio.



Por ora, a pergunta que aflige a atividade renal do colunismo da indignação seletiva é de natureza mais ampla: uma lambança dessa ordem, assentada no aconchego de três governos sucessivos do PSDB – Covas, Serra e Alckmin – teria prosperado, por tanto tempo, sem a parceria orgânica de altos escalões?



A ver o empenho investigativo da operosa artilharia que sempre atuou a plenos pulmões quando o seu alvo eram reputações progressistas. 



Duas ou três coisas precisam ser ditas enquanto isso. 



Elas remetem ao núcleo duro desse enredo: a união estável entre cartel e política em nosso tempo.



Usado e abusado sob as asas do PSDB bandeirante, o cartel é a forma de planejamento hegemônica em nosso tempo.



Uma forma de planejamento privado; do capital contra a sociedade.



É disso que se trata.



Empresas substituem a concorrência pelo rateio clandestino de cotas em uma licitação.



O ilícito assegura lucros robustos de oligopólio a cada um dos participantes.



Imperasse a livre concorrência, os custos desabariam. 



O lucro seria da sociedade.



No caso, os cofres públicos pagaram o sobrepreço do butim.



Invariavelmente, esse arredondamento financeiro inclui a comissão daqueles que deveriam zelar pelos interesses da sociedade, mas aderiram ao desfrutável complô contra ela.



Paradoxalmente, esse talvez seja o ingrediente mais barato do enredo.



Mais grave é o assalto que os mesmos protagonistas praticaram, simultaneamente, ao longo de anos, contra o discernimento crítico da sociedade.



Estamos falando da catequese da livre concorrência contra tudo o que exalasse o mais tênue aroma do interesse público.



No jogral que nunca desafina lá estavam os titãs das privatizações; a turma do choque de gestão; os liquidacionistas da era Vargas; os pregoeiros do câmbio livre; os trovadores do Estado mínimo; o pelotão antigasto público; os áulicos das finanças desreguladas; os vigilantes do ‘superávit cheio’; os algozes do BNDES; os prosadores da desindustrialização virtuosa (laissez passer); os mariners do ‘custo Brasil’; os doutores da purga da produtividade (‘tarifa zero’); os droners das ‘incertezas dos mercados...



Tudo modulado pelo diapasão da vantagem dos livres mercados para alocar recursos e gerar riqueza ao menor custo, com maior eficiência.



Eis que, todos juntos, são apanhados em peculiar lubrificação de um comboio diferente da livre concorrência em São Paulo.



Mas não tão original assim. 



E esse é o ponto histórico a reter da grande fraude por trás das outras menores, como essa do assalto ao metrô.



Na realidade, as ditas ‘economias de mercado’, acalentadas no discurso tucano, debatem-se hoje estruturalmente com o assalto da escala capitalista, que capturou todas as instancias da sociedade e, por decorrência, a própria soberania de governos e nações. 



‘Globalização’ é o nome fantasia desse agigantamento do capital que desafia partidos, urnas e povos, subtraindo-lhes o direito de comandar o próprio desenvolvimento.



Não é um discurso.



Há um indicador que mede esse emparedamento: a ‘razão de concentração de mercados’.



Ela indica o quanto um setor da economia é dominado pelos seus quatro maiores atores corporativos. 



Nos EUA, por exemplo, o mercado de lâmpadas é 88,9% dominado pelo quarteto do setor.



Um caso clássico na literatura econômica remete à decisão do cartel dos fabricantes de lâmpadas, em 1924, de limitar em 1000 horas a vida útil de seus produtos.



Já então, a tecnologia permitia esticar esse prazo a 2.500 horas.



A ganância não se restringe mais a fabricantes de lâmpadas.



Ela se tornou infecciosa e açambarcou boa parte da economia, desde a produção de cerveja a vagões de metrôs. 



E não só na esfera produtiva.



A exemplo do que acontece no resto do mundo, o cartel mais poderoso no Brasil, hoje, tem nome e endereço conhecidos: chama-se Febraban e reúne os grandes banqueiros do país na administração dos spreads cobrados da população.



O ganho econômico auferido dessa forma é facilmente identificável em exemplos como os da obsolescência das lâmpadas, o custo do crédito ou o ‘plus’ no caso do metrô..



Mas existe algo ao mesmo tempo mais significativo e menos transparente a ligar todas essas manifestações.



Trata-se da pertinência emergencial do planejamento econômico na sociedade contemporânea.



A escala atingida pelas grandes concentrações oligopolistas não pode mais ser ativada racionalmente sem planejamento. 



O risco é a autodestruição, de um lado; ou a espoliação da sociedade, de outro.



Quem fará esse planejamento é uma das grandes questões da luta democrática em nosso tempo.



Ela permeou a disputa presidencial em 2002, 2006 e 2010.



Permeará igualmente a de 2014.



Ao PSDB conceda-se o mérito da coerência.



O Estado mínimo que tem no partido um centurião canino é o regaço histórico dessa modalidade de planejamento do capital contra a sociedade. 



Ou da sociedade para servir ao capital.



O caso do metrô pode ser pedagógico nesse sentido.



A ver.


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