quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pompéia Conta Boal



Pompéia Conta Boal

Augusto Boal


Começa nesta terça-feira (13), em São Paulo, o projeto Pompeia Conta Boal, ciclo do Sesc em homenagem ao teatrólogo Augusto Boal
 13/11/2012
Eduardo Campos Lima
de São Paulo (SP)

Começa nesta terça-feira (13), em São Paulo, o projeto Pompeia Conta Boal, ciclo do Sesc em homenagem ao teatrólogo Augusto Boal. A mostra tem início hoje, com a leitura cênica da peça de Boal Revolução na América do Sul, feita pela Cia. do Latão e pelo Coletivo de Cultura do MST (às 21h), e um debate, do qual participam o ator Nelson Xavier e o integrante da coordenação nacional do MST João Pedro Stédile. 

Figura fundamental para o teatro moderno brasileiro, Boal começou a atuar como diretor do Teatro de Arena de São Paulo em 1956, logo após voltar de uma temporada de estudos nos Estados Unidos. O coletivo acabara de incorporar os jovens e politizados atores do Teatro Paulista do Estudante (TPE) – entre eles Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Vianna Filho – e, com a entrada de Boal, assume como tarefa a busca de novas formas artísticas para tratar de temas sociais e políticos. 

Ao longo dos anos 1960, o Arena, capitaneado por Augusto Boal, expandiu de maneira marcante as possibilidades estéticas do teatro brasileiro. Em diferentes fases, desenvolveu uma dramaturgia voltada à figuração dos temas nacionais, criou formas inovadoras de montar clássicos da tradição universal e apropriou-se dos experimentos do diretor alemão Bertolt Brecht, explorando elementos musicais e uma encenação descontínua em peças como Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes. 

Em 1970, com o endurecimento da repressão do Regime Militar, Boal coordena a criação do teatro-jornal, metodologia de teatralização de notícias desenvolvida por jovens artistas que haviam acabado de ingressar no Teatro de Arena. A partir daí, ele elaboraria uma série de formas teatrais participativas, facilitadoras de sua atuação junto a comunidades e movimentos sociais. Reunidos, os métodos constituem o Teatro do Oprimido, que rapidamente passou a ser praticado mundo afora. Até o fim da vida, Boal não cessaria seu trabalho com o TO e com encenações mais convencionais. 

Um pouco de cada uma dessas fases poderá ser visto em Pompeia Conta Boal. “A mostra foi concebida de maneira a dar um panorama amplo dos diversos aspectos da obra de Boal”, explica Cecília Thumim Boal, atriz e psicanalista que foi casada com o teatrólogo. Cecília é a curadora do ciclo, juntamente com Sérgio de Carvalho, diretor da Cia. do Latão. 
Como reflexo da obra de Boal, que não concordava com a cisão entre arte e aprendizado, a mostra tem caráter artístico-pedagógico, apresentando seu trabalho em encontros organizados de acordo com os temas Dramaturgia e Pedagogia da Dramaturgia, Reflexão sobre Atuação, Relação entre Teatro e Música e Teoria e Prática do Teatro do Oprimido.  

Coletivos de teatro de grupo de São Paulo serão responsáveis por diferentes encontros. “Foram convidados grupos que trabalham em consonância com as preocupações políticas e sociais no teatro que Boal tinha. Em São Paulo, há um movimento de teatro muito forte, que certamente tem relação com a trajetória dele”, afirma Cecília. 

Memória – O ciclo foi baseado em uma pesquisa de documentos e imagens raros de Boal, muitos deles pesquisados no acervo do teatrólogo, que há um ano está sob os cuidados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

“Tenho grande satisfação pelo fato de o acervo estar na UFRJ, que além de cuidar de sua manutenção, auxiliou-nos bastante com a mostra, enviando materiais sempre que solicitamos”, conta Cecília. Um dos documentos obtidos com a equipe da UFRJ responsável pelos arquivos é um texto inédito de Boal, que será incluído no catálogo da mostra. 

Veja a programação completa: 

Zumbi
Dia(s) 16/11, 17/11, 18/11, 23/11, 24/11, 25/11, 30/11, 01/12, 02/12, 07/12, 08/12, 09/12 Sextas e sábados, às 21h. Domingos e feriados, às 19h

Revolução na América do Sul
Dia 13/11 Terça, às 21h.
Direção de Sérgio de Carvalho (Companhia do Latão). Com Companhia do Latão e Coletivo de Cultura do MST

Arena Conta Bolívar
Dia 14/11 Quarta, às 21h.
Leitura cênica com a Companhia São Jorge de Variedades. Direção: Georgette Fadel.
Participantes convidados: Jairo Arco e Theo de Barros.

Teoria e Prática do Seminário de Dramaturgia do Arena: a utilidade da dialética
Dia 15/11 Quinta, às 19h.
Palestra com os dramaturgos Lauro César Muniz, Chico de Assis e Benedito Ruy Barbosa. Mediação de Sérgio de Carvalho.

Opinião de Boal
Dia  17/11 Sábado, às 18h.
Leitura cênica a partir de escritos ficcionais e teóricos em torno de Feira Paulista de Opinião. Com Milton Gonçalves, Isabel Teixeira, Rodrigo Bolzan, Danilo Grangheia e Cecilia Boal. Direção de Marco Antônio Rodrigues.

Boal, Cultura e Política
Dia 22/11 Quinta, às 21h.
Izaías Almada, Maria Sílvia Betti e João das Neves

Hamlet e o Filho do Padeiro
Dia 23/11 Sexta, às 19h.
Leitura cênica a partir do livro autobiográfico de Augusto Boal. Com Lima Duarte. Direção de Sérgio de Carvalho. Músico: Martin Eikmeier.

Boal e a arte do ator: entre ser e não ser
Dia 24/11 Sábado, às 19h.
Demonstração de técnicas dos laboratórios de atuação e de jogos para atores e não atores.
Direção dos exercícios: Alessandra Vanucci. Com a Companhia dos Narradores e Companhia Estável. Mediação de Paula Chagas

Debate e Cenas de Torquemada e A Exceção e a Regra
Dia 28/11 Quarta-feira, 21h
Apresentação de cenas das obras teatrais Torquemada, direção de Kelly diBertolli, e A Exceção e A Regra, com Sergio Audi

Mostra de Filmes sobre Teatro do Oprimido
Dia 28/11 Quarta, às 19h.
Exibição de trabalhos de Zelito Vianna, Fabian Boal e Nina Simões Após a sessão, palestra com Geo Britto, do Centro de Teatro do Oprimido.

Cultura e Política Hoje
Dia 29/11 Quinta, às 21h.
Debate com Paulo Arantes e José Antônio Pasta. Espaço Cênico. Mediação: Priscila Matsunaga, Universidade Federal do Rio de Janeiro de Janeiro.

Mostra de Filmes e debate sobre Teatro do Oprimido
Dia 29/11 Quinta, às 19h.
Trabalhos de Joana Carneiro da Cunha (Um teatro em campanha, sobre Jana Sanskrit), Teatro Invisível na Bélgica e Meu marido está a negar (Moçambique) Palestrante: Geo Brito, Centro de Teatro do Oprimido.

Marcha Boal
Dia 01/12, Sábado, às 19h30.
Batuque e cortejo em homenagem realizada pelos grupos Brava Companhia, Companhia Antropofágica e Grupo de Teatro do Oprimido da UNESP. Direção de Tiago Vasconcelos.

Teatro do Oprimido
Dia (s) 29/11, 30/11, 01/12, Quinta e sexta, das 14h às 18h. Sábado, das 10h às 15h.
Oficina a partir dos variados conceitos e proposições do Teatro do Oprimido. Com Julian Boal, pesquisador teatral ligado ao Teatro do Oprimido. Na Sala 1 das Oficinas de Criatividade. 25 vagas.

Teatro Jornal
Dia 21/11 Quarta, às 19h.
Demonstração das nove técnicas de Teatro Jornal com utilização do noticiário atual. Com a Companhia do Feijão. Direção de Pedro Pires. Debate com o professor da UFRJ Marildo Menegatti.

Teoria e Prática do Teatro do Oprimido
Dia 01/12 Sábado, às 17h.
Apresentação de processo resultante da Oficina de Teatro do Oprimido, realizado pelo pesquisador Julian Boal. Com: Rafael Liftin, da Universidade de Brasília, Julian Boal e José Soeiro, sociólogo e ex-deputado português. Mediação de Paulo Bio.

SESC Pompeia
Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo-SP




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