domingo, 9 de setembro de 2012

Os agiotas da fé e a utilização de espaços religiosos de maneira partidarizada


Os agiotas da fé

e a utilização de espaços religiosos de maneira partidarizada



As pessoas vão aos templos religiosos pelos mais diversos motivos.
Os dissabores, aflições e percalços ofertados pela existência pesam sobre nossos corpos e almas.
Busca-se paz, orientação e força para seguir em frente.
No entanto, alguns pastores/padres desvirtuam a finalidade de suas funções e passam a mercadejar a fé.
Vendem ilusões das mais disparatadas e ordenam aos fiéis que sigam determinações absolutamente desprovidas de sentido.
Ora é o comprimento do cabelo ou da saia.
Depois a forma de andar, a cor da roupa.
Permissão para ir a festas ou proibição total etc.

O despotismo domina muitos lugares onde deveria reinar a paz e a humildade.
Entretanto, notamos o oposto.
Desavenças e soberba tomam conta e conspurcam o sagrado.

Cada um tem sua forma de crença, sua prece preferida.
No entanto, ela não pode ser utilizada para manipular e corromper "em nome de Deus".
Os laços que ligam o crente à divindade não podem ser contaminados pelos interesses baixos e escusos de personalidades autoritárias que impõem suas preocupações pessoais, absolutamente divorciadas das mensagens de harmonia pregadas no púlpito.

A fé e sua prática independem de edifícios: templos, igrejas...

A saúde depende de boas condições materiais: alimentação adequada, exames de prevenção, hospitais e médicos preparados, acesso aos medicamentos e programas de reabilitação das mais diversas formas.

A educação necessita de escolas de qualidade: professores habilitados, equipamentos adequados, acompanhamento familiar e a atenção para o desenvolvimento integral do ser humano.  

Os empregos existem como resultado de políticas de desenvolvimento e de distribuição de renda.
13º salário, férias, FGTS e outras lutas vitoriosas podem ser suprimidos por demagogos e pessoas ligadas aos desejos daqueles que preferem a desigualdade e são contrários ao bem estar social.

A dignidade é obtida historicamente com a luta dos trabalhadores.

Direitos sociais e trabalhistas são arduamente conquistados ao longo da História.

Ou seja, políticas públicas adequadas trazem tranquilidade e conforto à população.

Mercadores frequentam templos.
Às vezes, como dirigentes.
São os vendilhões.
Por isso devemos tomar cuidado!

Enquanto pobres seguidores secam seus míseros recursos entregando o que não podem e ameaçando sua própria subsistência, pastores/padres inescrupulosos desfilam em carros importados e caríssimos, quando não em aeronaves próprias de marajás e de grandes banqueiros.
As mansões de alguns pastores/padres causariam inveja ao Rei Salomão e a muitas estrelas de Hollywood.
Mas eles dizem que “tudo é para Deus”.
E você, de boa fé, continua a destituir-se do pouco que tem para enriquecer ainda mais os agiotas da fé.
Eles possuem canais de televisão, fazendas, grandes empresas, partidos políticos etc.
Diariamente você se esfalfa de trabalhar e, se prestar atenção, observará o pastor/padre farsante prosperando com suas doações.

E você? Não percebeu ainda que há os que se aproveitam de sua boa fé?
Muitas vezes, levam políticos para o púlpito. Prometem o paraíso na Terra.
Lembra-se da última vez que levaram o José Serra em sua Igreja?
Seu pastor não disse que ele seria a pessoa certa, o “candidato de Deus”?
E o que aconteceu?
Depois, o Gilberto Kassab também foi apresentado como o  “candidato de Deus”.
E o que aconteceu?
Agora, Celso Russomanno é apontado — pelos mesmos que indicaram Serra e Kassab — como o “candidato de Deus”.

Será que Deus faz política?
Política não é coisa dos homens?
Por que o pastor/padre teria o direito de impor a você um candidato?
A escolha faz parte de seus direitos e prerrogativas enquanto cidadão.
Você não precisa de alguém que determine suas decisões e suas escolhas enquanto cidadão. A análise das propostas, a percepção de que elas podem ser implementadas, tendo em vista a igualdade de acesso e o respeito a todos, independentemente de suas crenças, tipos, etnias e  escolhas.

Há os que não compartilham de nossas certezas.
Acreditar ou não é um direito constitucional no Brasil.
E a Carta Magna do país garante a todos o direito de concordar ou não com determinadas ideias.

A fé é de foro íntimo, cada um tem a sua.

A politicagem deve ser combatida. Devemos estar atentos para impedir que charlatães enganem as pessoas: nos templos, igrejas, escolas, e, até mesmo, nos palanques.
A política tem por objetivo criar oportunidades iguais para todos.

Você tem liberdade para, a seu juízo, formar sua compreensão e, pensando na sua família e na coletividade, encontrar a decisão que proporcione uma vida melhor.

Não permita que poucos se beneficiem (inclusive usando sua fé). A lei garante a liberdade de crença e impede qualquer tipo de perseguição religiosa. E a mesma lei veta a utilização de espaços religiosos de maneira partidarizada, qualificando-a como crime!

Não compactue com o delito de certas “autoridades religiosas”.

Pense que suas escolhas atingem a todos. Hoje e no futuro.

A Constituição da República Federativa do Brasil lhe dá essa garantia.

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