sexta-feira, 27 de maio de 2011

O trabalhador e o rapace



O trabalhador e o rapace



Prudente, João gostava de saber das coisas antes de afirmar quaisquer leviandades a respeito delas.
Quando a história chegava a ele, imaginava o percurso anterior e os desdobramentos que os relatos tomavam.
Acréscimos são corriqueiros em nossa vida, e não só o de juros em conta atrasada.
Os credores não hesitam em aplicar a correção monetária.
Eles podem contar com esse recurso.
E nós, assalariados, precisamos esperar a recomposição por um ano, quando ela vem.
Mas alguns espertinhos conhecem atalhos e infiltram-se em locais de acesso restrito.
Abarrotam suas contas bancárias com um enter em seus tabletes e blackberrys.
Enquanto João se esfalfa no dia-a-dia, os tubarões engolem em poucos minutos o que aquele nem numa vida consegue obter.
Mundo desequilibrado é o nosso.
O sujeito tem necessidades a satisfazer e a duras penas consegue cumprir seus compromissos.
Outros, pouquíssimos, sabem o endereço da facilidade para dificultar a vida dos Joões, especialmente nesses dias em que o mundo não teve fim, tampouco a dinheirama que os aproveitadores conseguem subtrair de milhões de deserdados da “sorte”.
A diferença é o tipo de atividade profissional. Quando se furta, rouba ou assalta R$ 100,00 o elemento é ladrão, assaltante, meliante etc. Quando manobra “recursos não contabilizados” e outras nomenclaturas do jargão de gente blindada, ou seja, opera no mercado atacadista, o nome dele é sua Excelência, sua Alteza e predicados consoantes à posição destacada ocupada pelo hábil incrementador de sua riqueza, cujos habeas corpus estão à disposição no bolso.
Pratica ad nauseam a liberalidade com os bens alheios.
Ser pródigo em gastar aquilo que não pertence a ele, pois gastar o que é de outrem não rebaixa, pelo contrário, eleva a reputação, como nos ensina Maquiavel.
A rapacidade desse pessoal não tem limites.

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