domingo, 29 de maio de 2011

Fim de jogo



Fim de jogo






Sabe o caminho de olhos fechados.
Lembra cada detalhe das curvas.
A paisagem parece ser sua criação.
Estaciona em desalinho.

Encontra as pessoas na festa,
Brinca com os convivas.
Dança com Denise. Toma um último drinque.
Acena um longo adeus.

Retorna para casa.
Percebe a luz acesa.
Alarme!
Liga para a polícia.

Sirenes soam na madrugada.
A lâmpada é apagada.
Freio das viaturas.
A casa vai pelos ares.

A explosão de grande impacto
Acorda a vizinhança.
Quem estaria na casa?
Alguém?

O fogo consome o pouco do que restara.
As lágrimas brotam de seu rosto.
Agradece a Denise por tê-lo mantido por mais tempo do que o combinado.
Cinco minutos antes seriam fatais.

A bomba-relógio não encontrou sua vítima.
Ela estava ocupada com compromisso marcado há vinte anos
Pela turma do colégio.
Todos os mesmos dias do mês de junho nas últimas duas décadas.

Mas o deste ano quase não se realizara.
Ele estava indisposto.
E os duzentos e oitenta e três quilômetros o desanimavam.
O pedido dela o demoveu de sua relutância.

Na festa, ela o deteve por mais tempo que o de costume.
A primeira vez em que se beijaram.
Desnorteou-se com a situação
Que esperara todos esses anos.

Os interrogatórios se seguiram.
No início, a polícia e a seguradora desconfiaram de seu álibi.
R$ 5.000.000,00 são um excelente motivo para se armar um “atentado”.
Mas não havia digital a ser colhida e a perícia nada apurou que o incriminasse.

Meses se passaram até que a BomSeguro resolveu lhe pagar a indenização.
Decidiu viajar e comprar uma casa no litoral da França.
Cansara-se dos encontros anuais e das sucessivas explosões e incêndios.
Entediado de suas vinte identidades, decidiu finalizar o jogo.


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