domingo, 15 de maio de 2011

Educação: tem quantidade, mas induz a pensar em qualidade





Educação: tem quantidade, mas induz a pensar em qualidade







A propaganda é a alma do negócio.
Muitas vezes, ela serve para ocultar predicados medíocres dos serviços prestados.
Tratando-se de educação, observamos o crescimento desmesurado de instituições caça-níqueis, descomprometidas até mesmo com um mínimo de qualidade. Prédios são multiplicados e os departamentos financeiros exultam. Brinde para o Marketing por ter conseguido mais incautos.
Resultados dos exames da OAB, por exemplo, denunciam a precariedade de universidades, centros universitários e faculdades. Apesar de desempenhos sofríveis, o MEC não toma as providências cabíveis, postergando indefinidamente sanções previstas na legislação.
O fato de muitos dos proprietários ou seus representantes fazerem parte do Conselho Nacional de Educação é bastante esclarecedor sobre a demora permanente na tomada de decisões corretivas. Afinal, a prática de haraquiri não é de nossa cultura; muito menos da empresarial.
Vejamos um caso emblemático.
Jovem fala na penumbra dos corredores da biblioteca de uma “universidade” sobre a conveniência ofertada aos espectadores que quiserem ingressar no ensino superior por intermédio desse estabelecimento. Segredando (é para poucos / exclusivo), o rapaz enumera a plêiade de opções: facilidade na matrícula, bolsas de estudos, mensalidade especial, garantia de que os consumidores/estudantes estarão aptos ao mercado de trabalho em apenas dois anos.
Com lupa, examinemos a miragem. Então, os que não têm recursos não precisam se preocupar com matrícula e mensalidades? Calma! Cuidado com a fila até a Lua. Quem deseja estudar desprovido de recursos atravessa a cidade mediante a promessa redentora de que a instituição oferecerá benefícios e facilidades (Anexo B, §s 1º e 2º).
Considerando as circunstâncias da realidade do emprego (atualmente de fácil colocação; mas e o valor dos rendimentos?), como prometer a inclusão dos formados no mercado de trabalho com salários convincentes? Além disso, não se explicita sobre a legalidade e o reconhecimento de seus cursos (Anexo B, § 6º).
Sem citar quais cursos oferecem mensalidades “especiais”, induzem o indivíduo a pensar que todos têm essa característica (Anexo B, § 9).
Não há informações sobre o endereço de outras unidades da instituição, nem mesmo se os benefícios são extensíveis para todas as unidades (Anexo B, § 13).
Ademais, o MEC precisa rever critérios de concessão de bolsas públicas (subsídios às privadas). E concedê-las apenas quando comprovado o mérito para sua obtenção.
Por que financiar com dinheiro público o oportunismo, a ineficiência e o descaso com a educação?

Infrações: Artigos 1º, 5º, 6º, 15, 19, 23, 25, 27 e 37.
                  Anexo B, §s 1º, 2º, 4º, 6º, 9º e 13.


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