domingo, 17 de abril de 2011

Terceirizados da USP: Laboratório do PSDB para revogação de direitos trabalhistas






No dia 12 de abril de 2011, trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, que prestam serviço de limpeza na USP, se mobilizaram contra o não-pagamento de seus salários.






Terceirizados da USP: Laboratório do PSDB para revogação de direitos trabalhistas







Conhecemos as tradições históricas e as articulações da direita brasileira para revogar direitos trabalhistas. Não imaginávamos que seriam TODOS os direitos o alvo, a ponto de reintroduzir a escravidão.


Esse bicho predatório, o tucano, é emblemático do partido político que o utiliza como símbolo. O PSDB tem por prática reiterada a falta de diálogo, a truculência e o completo desprezo pelas forças populares, ameaçando continuamente a árdua conquista dos direitos dos trabalhadores.


Sabemos de que lado está o PSDB na luta de classes. É contra os trabalhadores, especificamente os mais humildes, como pode comprovar a situação dos terceirizados na USP e o contínuo desdém pelos demais funcionários.





Pessoal,

Segue breve resumo da situação atravessada pelos trabalhadores terceirizados da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP dentro do quadro de terceirizações e de privatização da Universidade:

A empresa União, responsável pela limpeza na FFLCH e em outros nove unidades do campus da USP Butantã, teve seu contrato rescindido pela USP. A empresa União, que deve ao Estado e "faliu" pouco antes do término do contrato com a USP, está no cadastro de inadimplentes, o CADIN. Com isso a USP não tem como repassar o dinheiro ainda devido à empresa para que os funcionários terceirizados recebam seus salários. Parte desse pagamento foi feito pela USP em juízo, mas os funcionários terceirizados, que ganham 598 reais por mês, continuam sem receber, já que a situação jurídica não se resolveu até o momento. O preço mensal de um barraco na favela São Remo é de cerca de 320 reais. A empresa União não tem mais sequer endereço físico! Sem o repasse das verbas rescisórias devidas, em função da situação jurídica, os trabalhadores da empresa União, que estão em situação de aviso prévio desde 29 de março, não têm sequer como receber seguro-desemprego!!!

Há um mês —o que é pior, pois esses trabalhadores trabalharam quase um mês sem saber que não iriam receber—, eles foram convocados pela Assistência Administrativa da FFLCH, com o propósito de "acalmá-los", pois a Assistência lhes assegurou de que não havia motivo para apreensão e que receberiam o salário normalmente até a quarta-feira. Não só isso não aconteceu como ainda, para piorar tudo, uma nova empresa terceirizada e já em fase de pré-contratação pela USP apareceu e instalou-se numa das salas do Prédio de Sociais, começando a organizar seus serviços.

No dia 11 de abril, quando os terceirizados da empresa União chegaram para trabalhar e se depararam com esse quadro, sentiram-se traídos e descartados como verdadeiro lixo humano, e em sinal de justíssimo protesto, começaram a revirar os sacos de lixo pelos corredores em meio a um "panelaço" que reuniu todos os trabalhadores da limpeza do turno da manhã. O vice-diretor da FFLCH correu imediatamente a reunir-se com os chefes de Departamento, e os professores, vergonhosamente, assumiram um discurso consensual de que a USP tinha feito tudo o que lhe cabia, e que os funcionários terceirizados deviam ir protestar "perante a empresa União, e não dentro da universidade". A estratégia de protesto dos terceirizados foi, nesse contexto, encarada como "agressão" e "ato de vandalismo" pela maioria esmagadora dos docentes, que imediatamente começaram a falar em questões de segurança, em necessidade de polícia no campus e em outros horrores!

Na terça-feira dia 12 os corredores estavam repletos de lixo revirado de todas as procedências, e as salas de aula permaneceram trancadas no período da manhã. Não houve aulas nesse turno, e no fim da tarde a Diretora da FFLCH chamou todos os professores que estavam nos prédios para uma reunião emergencial em que manifestou repúdio ao protesto dos terceirizados, entendendo-o como ato improcedente de agressão, e obtendo a pronta concordância da maioria dos docentes.

O Sintusp, Sindicato dos Funcionários da USP, havia se mobilizado desde o início no sentido de prestar solidariedade aos terceirizados. Num primeiro momento os terceirizados haviam rechaçado abertamente esse apoio, considerando que era o sindicato específico de sua categoria , o SIEMACO, que deveria representá-los. Infelizmente isso não ocorreu, e o SIEMACO mostrou ser um sindicato pelego e traiçoeiro, conivente com o descaso dos assessores de Rodas. Diante dessa constatação, os terceirizados passaram a acolher o apoio do Sintusp, o que entretanto não os levou ao acolhimento da orientação dada pelo Sintusp de que evitassem a tática complicada de revirar e de espalhar o lixo. Para os terceirizados tratava-se, afinal, de dizer simbolicamente: "se somos descartados como lixo e se nem a Reitoria e nem a Direção assumem a palavra que nos haviam empenhado, devolvemos então o lixo que diariamente limpamos”. A própria Diretora nos havia informado que há meses a empresa União havia deixado de fornecer materiais básicos de limpeza e até luvas para seus funcionários! Não havia, portanto, qualquer intenção de agressão ou vandalismo, e sim desejo de tornar visível uma situação que já havia passado há muito dos limites do suportável!

Entre quarta e quinta-feira a situação caótica já estava instalada: a imprensa compareceu para registrar imagens (inclusive com câmeras de TV) e setores discentes começaram a se mobilizar em apoio.

Na quinta não houve aulas no turno da manhã novamente. Uma reunião conjunta de docentes e funcionários administrativos da USP resultou na formação de uma Comissão que se reuniu com a diretora ontem, sexta-feira 15 de abril.

Para a Diretoria, para os chefes de Departamentos e para a maioria dos professores a tática de protesto dos terceirizados havia sido fruto de uma "manobra política" dirigida pelo Sintusp, que é o único sindicato que tem consistentemente manifestado seu repúdio às medidas implantadas pela Reitoria. O Sintusp tem sido, há anos, amplamente "demonizado" pelo Reitor, pelos Chefes de Departamento e pela Diretoria da FFLCH, e a luta dos terceirizados foi imediatamente encarada com tendo sido orquestrada pelo Sintusp. Foi preciso que representantes de funcionários não terceirizados da USP explicassem didaticamente à Diretora e ao Vice Diretor, na reunião de sexta-feira, que para quem mora em um barraco na favela São Remo e vive com minguados 598 reais de salário, quem "manobra" é a fome e a revolta, e que, se existe um ato de agressão, ele provém da predadora gestão Rodas, continuidade da vergonhosa gestão de Suely Vilela com sua política de terceirizações.

O custo das terceirizações é esse: mão de obra escrava dentro do campus e docentes coniventes e alienados, imersos numa tecnoburocracia cujas metas máximas são a captação de recursos e a chamada "internacionalização"!

Após a Semana Santa serão organizadas plenárias para a discussão da situação que se apresenta, e para que todos procurem esclarecimentos sobre os aspectos jurídicos, sobre os direitos dos trabalhadores e sobre a responsabilidade social da Universidade.






http://youtu.be/RkQYBQexoTg

2 comentários:

  1. Cara, gostei muito do seu texto. Eu estava lá lutando junto com os terceirizados e pude comprovar tudo que você disse.

    Parabéns e viva a luta dos trabalhadores terceirizados da USP!

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  2. Denise, esta luta é emblemática das posições que se confrontam. Todo apoio aos trabalhadores. Chega de escravidão!

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