domingo, 10 de abril de 2011

CONAR: problemas e mercado





Esclerose múltipla






CONAR: problemas e mercado

Um dos problemas mais evidentes com que se defronta o pesquisador é observar o constrangimento de membros de uma mesma atividade profissional se julgarem com a isenção devida. Sabemos que a imparcialidade é fenômeno social pouco provável entre parceiros que são interdependentes, sendo agravante o fato de existirem interesses comerciais vultosos. E o corporativismo, deixará de se expressar? Os que têm trabalhos sendo veiculados serão desagradados por aqueles que estarão logo mais na mesma condição?

Essas são apenas algumas das questões que limitam a atuação do CONAR. Pela sua atual composição desequilibrada em favor do mercado em detrimento dos consumidores, propor-se na posição de magistrado é inviável. Reservar-se um julgamento aos que em alguns instantes podem intercambiar a situação de juiz/réu, demonstra os limites muito salientes desse arranjo de autorregulamentação.

É verdade que há advertências, sanções e punições. Mas, devido à especificidade do mercado publicitário, algumas peças desafiam os limites, diríamos que até mesmo atropelam o Código de Ética, pois o “crime compensa”. Até sair do ar, o anúncio já produziu seus efeitos, descartando o sentido salutar de sua interrupção imediata.

Ou seja, não só a agilidade é exigida, mas os trâmites para que isso ocorra devem obedecer a ritos, processos, admoestações, recursos etc., tornando morosa, mesmo que se resolva “a posteriori”, e, por isso, “compensando ultrapassar o sinal”.

Infração sem pena, ou em que esta seja infringida quando já não tem mais efeito prático, é o mesmo que nada. Burlar de forma constante o Código parece ser uma das opções privilegiadas por aqueles que percebem com nitidez as restrições a que nos referimos.

Desse modo, se faz mister, em nossa avaliação, refundar/substituir o Conar e transformá-lo numa entidade realmente eficaz. Para isso, é fundamental cortar o cordão umbilical de interesses que impedem uma atuação equânime desse órgão.

Recorrer a outras instâncias da Justiça é um dos caminhos que o cidadão pode trilhar para não se tornar vítima indefinida do exercício “distorcido” da publicidade.

Conhecer as sutilezas e subjetividades da criação publicitária é requisito para se avaliar anúncios? Por que não os “leigos”? A exaltação do “discurso competente” camufla o interdito que tem por finalidade criar obstáculos à participação democrática e transparente das estruturas incumbidas de interferir nos momentos oportunos.

Órgão burocrático ou rançoso não é o que propugnamos. Mas um espaço no qual se defina e proteja com clareza interesses não-mercantis. Marginalizar participantes por não serem “especialistas” é pseudoargumento destinado a manter o “clube” sem ser molestado em suas “decisões soberanas”.




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