domingo, 3 de abril de 2011

As cervejas transbordam espuma machista. Um caso de “quase” todas as marcas




As cervejas transbordam espuma machista. Um caso de “quase” todas as marcas




As mulheres, invariavelmente, são utilizadas como símbolo sexual nas mensagens de cervejas, que, muitas vezes, são sexistas. Na realidade, as mensagens têm forte carga sexista. Mostram as formas femininas e sugerem que elas estão à disposição, prontas para serem agarradas, como o copo de cerveja pode ser preso à mão dos homens. A identificação entre a bebida alcoólica e a mulher, a “loira” gelada e a modelo esguia que toma a cerveja, é tão repetitiva que, apesar disso, o clichê não se esgota, mas se repõe todos os dias.

Devemos lembrar que despertar desejos e vender sonhos são a matéria-prima do trabalho do publicitário. Excitar o ego masculino, dando-lhe a impressão de desfrutar de belas garotas e fantasiando acompanhar as mais incríveis modelos por lugares paradisíacos, estremece a vaidade masculina.

Ora, sentir-se másculo seria, então, “beber com os amigos”, “curtir a vida” e, por conseguinte, aquele que não beber estaria transitando para o limbo, marginalizado por não reafirmar seu poder fálico ao tomar “a loira”. Assim, a abstinência é acoplada à falta de decisão sexual, compelindo o sujeito a fazer a escolha do papel definitivo que queira desempenhar, sem delongas.

Os jovens são mais suscetíveis de embarcar nessa canoa de ilusões, dada a insegurança típica da idade e a urgência subjetiva de provar algo a alguém, demarcando seu rito de passagem para o mundo “dos maiores”. Abreviando o tempo, os rapazes acreditam poder penetrar no encantado mundo dos prazeres dos homens, mas ignoram as responsabilidades do mundo adulto, ocasionando decepções expressivas.

Já é comum verificar grande quantidade de rapazes de 13, 14 anos, e, até menos, bebendo nas “baladas” das grandes cidades. As propagandas associam força e masculinidade ao consumo do álcool. E os jovens sentem-se “mais seguros”, “decididos”. Adormecem seus receios com a ingestão de numerosos coquetéis de bebidas; depois estão prontos para as aventuras. As consequências do abuso se fazem notar por toda parte: acidentes de automóveis, atropelamentos, brigas por motivos banais etc.

Já é hora dos promotores, que engordam os bolsos com essas campanhas, atentarem para os prejuízos psíquicos e socioeconômicos de suas criações “refrescantes”.

Infrações:

Artigos 1º, 5º, 6º, 15, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 34 e 37.
Anexo P, §s 2 c-1, 2 c-2 e 3-h.



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