sábado, 12 de março de 2011

Texto base de Scott Fitzgerald: “Dois por um centavo.” Patrícia Kisse



Scott Fitzgerald



PATRÍCIA KISSE - p.kisse@gmail.com

Texto base de Scott Fitzgerald: “Dois por um centavo”

Exercício: criar uma contestação ao pedido da mãe (para que Hemmick permanecesse), fazendo-o finalmente sair daquela cidade.


Nenhum centavo

Ele poderia ter enfrentado a cidade inteira, mas não aquela mulher. Ela que já havia sofrido demais na vida, agora tinha sofrido mais um golpe duro, e pior, por culpa dele. Hemmick se martirizava enquanto pensava na tristeza da mãe e nas suas últimas palavras diante da decisão dele de ir embora.

“Hemmick, o dia em que você se for será o dia da minha morte”, disse ela. Hemmick, no entanto, achava que a mãe, com suas idéias antiquadas sulistas, não conseguia perceber que era ilusório achar que ele conseguiria provar sua inocência e teria um futuro promissor lá na cidade. A realidade era castradora, ele seria sempre culpado e os dois continuariam suas vidas miseráveis.

Mas o que falar para sua mãe? Como enfrentá-la? Ela não conseguia entender e ele sabia que deveria sair de lá o quanto antes se não quisesse desperdiçar a sua vida como os outros. Passou aquela noite em claro e quando amanheceu pensou ter encontrado a solução para o seu problema. Para isso precisaria somente de um centavo, um “feijãozinho” e uma casa abandonada.

Não foi difícil conseguir as três coisas. Casas abandonadas e velhas não faltavam naquela cidade, que acabava com os sonhos daqueles que queriam fugir da perpetuação da pobreza. “Feijãozinhos” também tinham em todas as esquinas e sempre dispostos a ganhar qualquer centavo. Este foi um pouco mais difícil, mas a idéia que não lhe viera antes, agora encontrara lugar no empréstimo com um amigo de sua mãe.

Escolheu o “feijãozinho” que lhe pareceu mais confiável e explicou-lhe o plano. No final da tarde, o garoto deveria entrar na casa velha da esquina, que pegaria fogo quando ele acendesse uma fogueira para se esquentar. Então Hemmick entraria na casa em chamas, resgataria o garoto na frente de todos e seria o novo herói da cidade. E o garoto receberia um centavo pela encenação. Hemmick, com sua reputação a salvo, teria pago a dívida com a mãe, podendo finalmente sair da cidade.

No momento combinado, o “feijãozinho” entrou na casa. Não demorou muito e as chamas já se alastravam. Hemmick, que fingia passar pela rua, logo entrou em cena, enquanto uma multidão se formava na frente da velha casa. Assim que entrou, Hemmick percebeu que não seria tão simples como imaginara, buscou o garoto, mas não o encontrou. Os minutos iam se passando e o desespero dele aumentava, gritou pelo garoto e nada. Entrou em um dos quartos e percebeu o “feijãozinho” desmaiado. Correu para pegá-lo, mas quando se deu conta estava ilhado, não havia nenhuma saída, o fogo o cercara por todos os lados. Hemmick percebeu seu destino, finalmente sairia daquela cidade, não conforme havia planejado e para onde iria não precisaria de nenhum centavo.

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