quarta-feira, 9 de março de 2011

Texto base de Leão Tolstói: “De quanta terra o homem precisa?” Heloísa Robles




Leão Tolstói


HELOÍSA ROBLES - heloisamoura@hotmail.com

Texto base de Leão Tolstói: “De quanta terra o homem precisa?”

Paralelo entre o texto e a realidade brasileira

A posse da terra, símbolo de “status” e domínio social, levando à destruição do ser humano, que, insatisfeito com sua forma de poder, desespera-se e se destrói, é idéia central do conto de Leão Tolstoi: “De Quanta Terra O homem Precisa?" Esse questionamento torna-se amplo e profundo, partindo-se do indivíduo e de sua ambição de conquista, e ampliando esse conceito a Estados dominadores, que vieram, durante períodos históricos, estendendo seus horizontes e limites, usando esse recurso como forma de massacre a povos e culturas.

O conhecido “Sonho Americano” de levar a democracia e a liberdade ao mundo, tornou-se exemplo clássico de expansão territorial, quando diversas comunidades se chocaram, destruíram-se, embora ainda acreditassem numa mudança social e desejassem a sonhada liberdade com um futuro promissor.

Durante os vários períodos históricos, a posse da terra tornou-se um símbolo opressor, inclusive dominador de mentalidades, tirando dos povos a sua forma de sobrevivência, e privando-os do resultado de seu próprio trabalho.

No Brasil, a situação não foi e não é diferente. Como colônia de Portugal, tivemos que nos subjugar aos mandados do Reino, plantando aqui, colhendo e produzindo em território nacional, mas enriquecendo os cofres da Coroa.

A divisão do território brasileiro em Capitanias Hereditárias, nada mais foi que estratégia de domínio e exploração, justificada pela imensidão do território brasileiro. A terra passou a pertencer a um grupo de dominadores que pouco se importavam com a produção local, com a pobreza da população existente. E essa técnica de domínio tinha intenções ainda mais profundas, quando se pensava nas Capitanias como posse “de pai para filho”.

Dominadores não faltaram também no Brasil: os “Bandeirantes”, que recolheram nossa riqueza mineral e a destinaram ao Império; os bem – conhecidos “Senhores de Engenho” no Nordeste, que fizeram com que muita gente sucumbisse a seus pés, proibindo-lhes a divisão da terra e monopolizando a produção do açúcar, com a riqueza do território em suas mãos.

Atualmente, a situação se repete se pensarmos na riqueza da Amazônia explorada predatoriamente por madeireiros, usinas brasileiras e produção agrícola monopolizadas por firmas estrangeiras, enquanto a população brasileira se desintegra, buscando alternativas para o alto índice de desemprego no país.

A História se repete e temas cíclicos emergem como a destruição e a submissão dos povos. Estes vêm sempre vinculados a idéias capitalistas de engrandecimento, de força individual, direcionada ao domínio dos mais fracos e subalternos.

A Literatura é produto dessa realidade, desses acontecimentos históricos e, lendo-se um conto como o de Leão Tolstoi: “De Quanta Terra o Homem Precisa”, e outras grandes obras que trataram de temas semelhantes, como as de Jorge Amado, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, podemos refletir sobre a busca desenfreada de poder, agregada à destruição do indivíduo, muitas vezes do próprio dominador, que, não vendo limites à sua ambição de conquista, afoga-se na lama da terra almejada, na imensidão de sua cobiça.



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