domingo, 13 de março de 2011

Primeiro as máquinas. A Volkswagen deixa os humanos em segundo plano.





Primeiro as máquinas. A Volkswagen deixa os humanos em segundo plano.



Primeiro as máquinas.
A Volkswagen deixa os humanos em segundo plano.

Às vezes, somos indagados sobre o fato de a propaganda de hoje ser muito diferente das mais antigas. Vamos examinar exemplo de um período anterior e verificar as constâncias na mentalidade dos redatores das peças publicitárias, ou seja, a ideologia implícita em suas mensagens.
Na época de lançamento, o Volkswagen Pólo Sedan causou frisson na mídia. A propaganda é protagonizada pela atriz Maria Fernanda Cândido e pelo ator Ronen Altman. Casal de classe alta chega a restaurante requintado a bordo do veículo da VW. Jantam e conversam romanticamente. A música do estabelecimento é a mesma da trilha dos comerciais do carro: “Pela luz dos olhos teus”, de Vinícius de Moraes.
Na saída, embriagado de contentamento, o ator, incrédulo de tanta felicidade em sua vida, se pergunta se tudo não estaria perfeito demais. Para comprovar se tudo não passa de um sonho, ele pede a ela que o belisque.
Seu pedido é convertido em castigo e os dois vêem o carro desaparecer. “Viu? Não falei que era sonho?”, diz ele.
Primeiro, vejamos a sagacidade dos redatores da peça publicitária. Casal de classe alta sonha em ter um veículo à altura de sua sofisticação. Agora já não é preciso sonhar. O carro existe. É o Pólo Sedan!
Agora acompanhemos os paradoxos. A elegância e a beleza da atriz, finamente vestida; o ambiente de luxo do restaurante; os manobristas uniformizados e obsequiosos. Tudo sugere que o casal, pelos lugares que frequenta, pode adquirir tal veículo. Não o fazia porque não existia o “Pólo”.
Mas ainda estamos nos aproximando do problema. Notemos que a atriz mostra sua decepção diante do repentino sumiço do veículo. Sim. A contrariedade é pela ausência da “máquina”. A alegria retratada em suas faces não pode permanecer na ausência do Pólo. Apenas o carro da VW dá a alguém a felicidade. Sem ele, a tristeza penetra no âmago das pessoas. A companhia do(a) parceiro(a) pouco importa. Ou seja, é impossível viver sem esse objeto de desejo.
O artigo 19 orienta no sentido de que “toda a atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade (...) e ao núcleo familiar”. Mas se evidencia nesse anúncio que as pessoas, assim, estão em segundo plano. É claro que isto é comum e corrente na publicidade. O que não retira o inconveniente de vermos a reafirmação do triunfo das coisas, dos objetos, sua “humanização”. Em detrimento dos humanos, que, por conseguinte, são “coisificados”, estão à mercê de produtos divinizados.
Infrações: Artigos 1º, 2º, 15, 19 e 20.

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