quinta-feira, 10 de março de 2011

Texto base: "Germinal", de Émile Zola. A mulher em todos os tempos. Patrícia Módolo







PATRÍCIA OLIVEIRA GARCÍA MÓDOLO — patriciamodolo@ig.com.br


Texto base: "Germinal", de Émile Zola.


A mulher em todos os tempos


Não são negras, nem mestiças...

Mulatas? Não falam nossa língua.

Estrangeiras!


Tempos amargos que em nosso país

reinava

O produtor de café,

Morria

Quem não cheirava rapé.

Ralés!


Não possuíam o gingado

Da mulata assanhada

O tabuleiro não continha

Acarajé, bolos ou cocada.

Suas faces

Não são enegrecidas

Pela melanina

É carvão...

Da cova que é a fria mina

Suas cores resumem na anemia

Do triste azul que somente

Ao triste olhar pertence


Vida maldita, abortada, traída!

Sem princípios, moral ou comida.

Pernas abertas

Ao bel prazer adônico

Bocas seladas,

Resignadas pelo abandono.

E o germe miserável

Parido aos borbotões

Continuam invencíveis

Avançando gerações

Tempos passados

Tão presente na razão

De quem observa

O cotidiano desta nação


Não se trata do lugar, tempo, espaço:

— A submissa resignação

Não atinge as feministas!

A alma anarquista diz à revelia

Grita a inconformidade dos dias:


Mãos! Coração! Revolução! Razão!

Basta! Mordaça! Pancada! Criada!

Tenha! Conceda! Receba! Sobeja!



Nenhum comentário:

Postar um comentário