sexta-feira, 11 de março de 2011

Texto base de Leão Tolstói: “De quanta terra um homem precisa?” Adriana Esther Suarez




Leão Tolstói - “De quanta terra um homem precisa?”



ADRIANA ESTHER SUAREZ - adriana.suarez@usp.br

Texto base de Leão Tolstói - “De quanta terra um homem precisa?”

Paralelo entre o conto “De quanta terra um homem precisa?”, de Leão Tolstói, e a situação brasileira. As Capitanias Hereditárias.



Os conquistadores portugueses chegaram a estas terras e acharam que mereciam ficar com elas pelo esforço de ter passado meses no mar; por ter sido mais audazes e mais astutos do que outros.

Não sabemos quem foi que disse que aqueles valentes e esforçados teriam direito de apropriar-se de tudo. Muitos dos ambiciosos europeus foram como Pohám, a personagem de Tolstoi: eles tiveram a possibilidade de serem os donos do que pudessem abarcar no menor tempo possível. Senão, algum outro ficaria com tudo. Vários morreram no intento, ficando, portanto, só com a terra da cova.

Mais outros, melhor sucedidos, amigos dos poderosos, talvez, receberam na repartição das terras as chamadas “Capitanias hereditárias”. Essas eram terras entregues aos bravos amigos da coroa portuguesa, mas com o agravante de que essas terras ficariam para sempre como herança para seus descendentes.

Se já era injusto receber imensas quantidades de terras pelo fato de ter participado de viagens arriscadas, de matanças de nativos e por ter-se salvado de alguma peste; mais injusto ainda é que os filhos, netos, bisnetos e tataranetos fiquem com o botim sem ter feito nada parecido com as façanhas dos ancestrais.

Para que é necessária tanta terra?

Porque quanta mais terra, mais poder. Temos que ver nas posses de terras transmitidas pela herança, a representação de um poder quase infinito.

Hoje, ainda temos donos de terra ou “coronéis” que mandam nos prefeitos do lugar, nos governadores e até nos presidentes. Estes são somente funcionários públicos colocados temporariamente no “poder” para satisfazer as necessidades dos verdadeiros poderosos: os donos da terra que são em última instância os donos do país e os donos das vidas dos que habitamos nele.

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