quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Relações da Folha de S. Paulo com o regime militar



Relações da Folha de S. Paulo com o regime militar


Sofregamente, a Folha de S. Paulo quis ter acesso à ficha da ditadura militar sobre Dilma Rousseff.

A tortura pela qual passou —a agora eleita a primeira mulher presidente do Brasil— deve ser investigada. Quem foram os torturadores e por que estão impunes?

Aliás, por que a Folha de S. Paulo forneceu infraestrutura para o regime militar e para suas práticas sistemáticas de tortura?

É necessária investigação sobre o cidadão Frias. Dos veículos cedidos ao DOI-CODI (para ocultar a identidade dos torturadores) às possíveis doações financeiras ao regime de exceção, intitulado amavelmente de "ditabranda" pelo jornal que apoiou ostensivamente o golpe militar de 1964 e suas práticas de terror.

A Folha de S. Paulo continua no encalço das vítimas do regime arbitrário. No recente período eleitoral, escolheu Dilma para obter frutos para seu candidato, mas não obteve êxito em sua manobra. Agora, o que fará com as informações retiradas às custas de espancamentos e sabe-se lá que métodos apreciados pelos torturadores e seus cúmplices?

A cidadania também tem suas curiosidades, não só o jornal piguiano.

Que tal sabermos quanto as empresas Frias doaram ao regime militar, desde o início?

Além de Boilesen, quem era o portador da bandeja entre os empresários?

Quais foram os capitalistas e quanto aportaram para o sucesso do tenebroso regime ditatorial?

Gostaríamos de um editorial da Folha de S. Paulo e de todos os demais jornais piguianos.

Mas podem ficar tranquilas, famílias Frias, Mesquita, Civitta etc. Ninguém vai torturá-los. Nós não somos adeptos de suas práticas.



Sugestão de leitura


Título: Cães de guarda
Subtítulo: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988
Autor(a): Beatriz Kushnir
Prefácio: Stella Bresciani
Páginas: 408
Ano de publicação: 2004
ISBN: 85-7559-044-8
Preço: R$ 52,00



"A investigação, cuidadosa e inovadora, reconstrói em grande parte o universo dos próprios censores, por meio de extensas entrevistas tanto com esses, como com vários jornalistas. Traz à tona, portanto, a fala desse grupo conhecido pelo uso do lápis vermelho e da tesoura e sua face pouco vislumbrada."
Michael Hall

Doutora em História Social, Beatriz Kushnir lança, nos 40 anos do golpe de 1964, livro nascido de intensa pesquisa sobre um dos aspectos fundamentais do regime militar: sua relação com os órgãos de imprensa, da censura à colaboração. "O objetivo é iluminar um território sombrio e desconfortável: a existência de jornalistas que foram censores federais e que também foram policiais enquanto exerciam a função de jornalistas nas redações", explica Beatriz na introdução do livro.

A pesquisadora explora a formação, as bases jurídicas e as diretrizes que orientavam o trabalho da censura, baseando-se em extensa pesquisa documental, além de entrevistas, inclusive com onze censores - aspecto inédito - cujo trabalho era "filtrar", na imprensa e nas artes, o que incomodasse o regime não só no campo político, como também na cultura e até no campo da moral. Outro foco do trabalho é a cumplicidade da imprensa, especialmente da Folha da Tarde - veículo onde trabalhavam vários militantes de esquerda até a época em que o jornal ficou conhecido como Diário Oficial da Oban (Operação Bandeirantes) - com o regime militar e seu aparelho repressivo: os diretores do jornal eram ao mesmo tempo funcionários da polícia, reconhecidamente. Eles mesmos confirmam em entrevistas.

O livro toca num tema delicado, e indiretamente critica historiadores de renome que fazem a história da imprensa "esquecendo" o caso da FT.
Cães de guarda explora os limites entre a censura, a auto-censura dos jornalistas e a complicada convivência entre governo e imprensa durante a ditadura militar.

Sobre a autora
Beatriz Kushnir é mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense e doutora em História Social do Trabalho pela Unicamp. Atualmente desenvolve um projeto de pós-doutoramento, com financiamento do CNPq, no Centro de Estudos de Migrações Internacionais (Cemi/Unicamp), e desde 1998 presta consultoria história para cinema e teatro. É autora de
Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição e organizadora de Perfis cruzados: trajetórias e militância política no Brasil, ambos publicados pela Imago.

http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=85-7559-044-8


2 comentários:

  1. Oi Agenor,

    Texto muito bom e o livro vou ver se encontro para ler.

    Abraços

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